Pessoas atrelam mudanças climáticas a reciclagem e camada de ozônio

Lilian Ferreira
Do UOL Ciência e Saúde
Em Cancún (México)

Neste final de semana, os cerca de 190 países que participam da COP-16, Conferência do Clima, que ocorre em Cancún, no México, concordaram em um ponto: o compromisso em investir mais na conscientização sobre mudanças climáticas. O UOL Ciência e Saúde saiu para as ruas (ou para a praia) para saber o que as pessoas sabem sobre o tema.

Todos os quase 50 entrevistados afirmaram que mudanças climáticas estavam ocorrendo, mas nenhum deles soube explicar corretamente qual era sua causa. A reciclagem e a camada de ozônio foram os temas mais citados ao se falar do assunto.

Joao Palocchi, consultor de Clima e Energia do Greenpeace, afirma que esta confusão é comum. “A primeira coisa ao se falar de meio ambiente é falar de reciclagem, mas isso mostra uma falta de informação”, diz.

O lixo contribui com a emissão de metano, um dos gases do efeito estufa, mas esse é um passo secundário, como explica o ambientalista: “Antes de reciclar o lixo, é melhor comprar produtos certificados (da carne à madeira), que garantam que não lançaram muito CO2 na atmosfera ao serem produzidos, trocar lâmpadas da casa por outras mais econômicas, ou deixar de dirigir em pequenas distâncias”.

Dos ouvidos aqui em Cancún, o único que citou o dióxido de carbono como causador do efeito estufa foi o inglês Garret Simpson, mas ele confundiu o aquecimento global com o buraco na camada de ozônio.

“No ano passado, o presidente da França também fez esta confusão, os assuntos tem uma conexão técnica, mas não são a mesma coisa. Os gases causadores do buraco de Ozônio também ajudam no efeito estufa, mas não é por causa do buraco que a Terra está esquentando”, explica Palocchi.

As mudanças climáticas são causadas pelo excesso de gases que provocam o efeito estufa, sendo o principal o gás carbônico, que agem refletindo a radiação do sol e aquecendo o planeta. Então, tudo o que emite gás carbônico contribui para as mudanças, principalmente os combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo.

A americana Jeniffer William foi uma exceção perto de seus compatriotas, dos dez entrevistados, só ela e o casal McCann souberam explicar algumas causas e consequências do aquecimento global.

Williams citou o transporte, um dos grandes vilões. “É um problema muito grande, que requer mudanças em esferas superiores ao nosso dia a dia. O carro, por exemplo, é um grande poluidor, mas precisamos dele para nos locomover. Espero que a indústria trabalhe para desenvolver veículos que poluam menos”, disse.

Já o senhor McCann brincou com a repórter: “Como você veio do Brasil para cá?”. Os aviões, principalmente em viagens internacionais, são uma grande preocupação quanto às emissões, porque a aviação é um setor em crescimento e não tem metas de redução.

Bárbara McCann falou, além da reciclagem e dos veículos, do uso apropriado da energia em sua casa e do derretimento da calota do ártico, como consequência, que faz com que o nível do mar suba. Além da alta nos mares, o El Niño também foi bastante citado como resultado do aquecimento.

Em emissões por habitante, os EUA são líder, com 18,9 toneladas de CO2 per capita, em 2007. O ambientalista lembra que pesquisas mostram que nos EUA muitas pessoas não acreditam que o aquecimento global seja causado pelo homem. “Alguns acham que é uma conspiração dos cientistas, o que se reflete na política americana”.

A chilena Jenny Saavedra declarou acreditar nas mudanças climáticas (mesmo sem saber direito o que elas afetam), mas disse que sabia que era uma questão polêmica, que muitos afirmavam que o fenômeno não existia. Sara Sanches atribuiu às mudanças o terremoto que aconteceu no Chile neste ano e também o frio fora de época que está acontecendo no país. “Muita gente acha que o frio é por causa do terremoto, mas eu sei que eles foram causados pelas mudanças climáticas”.

Já o peruano Wilson Mestança cita o desmatamento da Amazônia como uma das causas do aquecimento global. “Pequenos agricultores queimam muita floresta para nada, para plantar em uma pequena área e o governo não controla”, reclama. De fato, o desmatamento de florestas contribui com cerca de 20% dos lançamentos dos gases do efeito estufa e é o principal responsável pelas emissões do Brasil.

“A maioria das pessoas já percebe a mudança climática como uma das principais ameaças à humanidade. Algumas dão um passo além, veem o desenvolvimento limpo como uma oportunidade de ter mais empregos, de não ter derramamento de petróleo, de não depender de combustíveis fósseis”, conclui Palocchi, que espera uma maior conscientização da população para que mais ações na área sejam, de fato, realizadas.

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Publicado em 06/12/2010, em Meio Ambiente. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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