Técnica inédita tinge plástico com CO2

Paula Rothman, de INFO Online

Terça-feira, 04 de janeiro de 2011 – 11h59

Fraunhofer

Técnica inédita tinge plástico com CO2

Peça tingida de amarelo em apenas 5 minutos a menos de 90o C e a 200 bar de pressão.

  • SÃO PAULO – Aquecido e pressurizado, o CO2 adquire propriedades de solvente que o transformam em um ótimo meio de “transporte” de substâncias como pigmentos e antibactericidas para superfícies de plástico.

A descoberta, investigada pelos pesquisadores do Instituto Fraunhofer em Oberhausen, na Alemanha, pode levar à criação de uma variedade de objetos: de maçanetas esterilizadas a lentes de contato com remédios impregnados.

Bastante conhecido como vilão do aquecimento, o dióxido de carbono é amplamente usado em diversos processos químicos – por exemplo, para produzir uréia (fertilizante), metanol (aditivo no combustível) e acido salicílico (usado na aspirina).

Agora, os pesquisadores alemães estão usando novas técnicas para impregnar plásticos com produtos usando o CO2 como intermediário. Isso porque, a uma temperatura de 30,1º C e a uma pressão de 73,8 bar, o dióxido de carbono entra em um estado supercrítico que dá ao gás propriedades de solvente. Nessas condições, ele pode ser introduzido em polímeros, ou atuar como “carregador”, no qual tintas, aditivos, compostos médicos e outras substâncias podem ser dissolvidas.

O processo dura apenas alguns minutos e é relativamente simples. O CO2 líquido é injetado em um container com alta pressão no qual também estão os componentes plásticos que devem ser tratados. A temperatura e a pressão aumentam gradualmente até que o gás alcance o estado supercrítico. A 73,8 bar, a pressão é aumentada ainda mais até chegar a 170 bar. Nessas condições, os pigmentos em pó se dissolvem completamente no CO2 e então são espalhados no plástico pelo gás. Quando o container é aberto, o dióxido de carbono escapa do polímero, mas deixa o pigmento que não pode mais ser removido.

Em testes, foi possível impregnar policarbonatos com nano partículas que os conferiam propriedades antibactericidas. As bactérias E-coli, ao serem colocadas na superfície do plástico, morreram completamente. Essa técnica poderia levar à produção de maçanetas que permanecem limpas por mais tempo.

Os pesquisadores enxergam um grande potencial no método, pois o CO2 não é inflamável, não é tóxico e é barato. Apesar das propriedades de solvente, ele não possuiu os efeitos nocivos para saúde ou o meio ambiente dos solventes usados, por exemplo, em tintas. Além disso, métodos convencionais para tratar o plástico têm muitos problemas, como a incapacidade de incluir substâncias resistentes ao calor, como retardantes de chamas e estabilizadores UV. Outro ponto positivo é que, justamente porque dispensa solventes agressivos, o método é menos nocivo ao meio ambiente.

Os testes foram bem sucedidos para polímeros parcialmente cristalinos ou amorfos, como nylon, TPE, TPU, PP e policarbonatos. O método, no entanto, não pode ser aplicado a polímeros cristalinos.

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Publicado em 04/01/2011, em Ciência e tecnologia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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