Antimatéria é produzida durante tempestade

Paula Rothman, de INFO Online

Terça-feira, 11 de janeiro de 2011 – 11h04

NASA´s Goddard Space Flight Center/J. Dwyer, Florida Inst. of Technology

Antimatéria é produzida durante tempestade

Simulação emcomputador mostra raios gama que darão origem às partículas de antimatéria

  • SÃO PAULO – Instrumentos a bordo de telescópio da NASA detectam um fenômeno inédito: a produção de antimatéria sobre trovoadas na Terra.

A detecção foi feita com o Fermi Gamma-ray Space Telescope e pode ajudar a esclarecer alguns dos segredos dessas partículas, que permanece um dos maiores mistérios da ciência.

Por definição, a antimatéria é idêntica à matéria, a não ser pelo fato de possuir carga oposta.  Por isso, as duas se aniquilam quando entram em contato uma com a outra.

Segundo todos os cálculos astronômicos, no momento do Big Bang (a grande explosão que, de acordo com as teorias mais aceitas, deu origem ao Universo) matéria e antimatéria devem ter se formado em quantidades equivalentes. No entanto, enquanto conseguimos perceber que nosso mundo é feito de matéria, a antimatéria parece ter desaparecido.

Os dados recém coletados pelo Fermi, e publicados na Geophysical Research Letters, são os primeiros sinais de que trovoadas produzem feixes de partículas de antimatéria.

Os cientistas acreditam que essas partículas se formaram em um flash de raio gama terrestre (TGF) – um breve lampejo produzido dentro de trovoadas. Acredita-se que, todos os dias, ocorram cerca de 500 TGFs, mas a maioria passa despercebida. Desde 2008, por exemplo, o Fermi só conseguiu identificar 130.

Os cientistas já suspeitavam que os TGFs surgiam dos fortes campos elétricos perto do topo das trovoadas. Nas condições certas, o campo se torna forte o bastante para criar uma avalanche de elétrons “para cima”. Atingindo velocidades próximas às da luz, os elétrons energizados liberam raios gama – a forma de luz de maior energia.  De vez em quando, ao esbarrar em uma molécula, esses raios podem se dividir em um par de partículas: um elétron e um pósitron. A primeira é matéria; a segunda é sua correspondente de carga oposta, antimatéria.

Os raios gama viajam em linha reta, porém as partículas giraram no campo magnético e, eventualmente, acabam atingindo o Fermi.  Os pósitrons do feixe então colidiam com os elétrons da nave, criando um flash de raios gama.  Os instrumentos do Fermi detectaram raios com 511 mil  elétron volts. Um elétron volt (eV), é a energia adquirida por um elétron quando acelerado através de uma diferença de potencial de 1 volt. A essa energia, os cientistas sabem que o elétron encontrou sua partícula de antimatéria oposta, o pósitron.

Apenas 23 milisegundos depois, as partículas presas ao campo magnético retornaram, passando novamente pela nave e produzindo novos raios gama. A conclusão? Segundo a própria NASA, da próxima vez que chover – e trovoar – lembre-se: você pode estar presenciando a formação de antimatéria.

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Publicado em 11/01/2011, em Ciência e tecnologia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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