Cern captura antimatéria por 16 minutos

Por Paula Rothman, de INFO Online

• Segunda-feira, 06 de junho de 2011 – 11h30

Niels Madsen ALPHA/Swansea

Eletrodos (dourado) do experimento ALPHA são inseridos na câmara à vácuo; eles ajudarão a misturar pósitrons e antiprótons para formam o anti-hidrogênio.

São Paulo- Cientistas europeus anunciaram ontem um feito recorde: conseguiram capturar átomos de antimatéria por mais de 16 minutos.

O trabalho, publicado domingo na edição online da Nature Physics, foi realizado no experimento ALPHA, do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern).

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Durante mais de mil segundos, 300 átomos de anti-hidrogênio foram mantidos estáveis e mapeados com precisão, usando lasers ou espectrografia para compará-lo ao átomo de hidrogênio (matéria).

A antimatéria é um dos grandes mistérios ainda não completamente compreendidos pelas teorias modernas da física. Por definição, ela é idêntica à matéria, a não ser pelo fato de possuir carga oposta – por isso, as duas se aniquilam quando entram em contato uma com a outra. Basicamente, para cada partícula de matéria existe uma contraparte de antimatéria: átomo e antiátomo, próton e antipróton, elétron e pósitron, etc… Sabe-se que nosso universo é basicamente composto de matéria e, no entanto, a teoria atual indica que durante o Big Bang, a explosão que deu origem a tudo, matéria e antimatéria teriam se formado em quantidades iguais. Se elas tivessem se aniquilado, nosso universo composto de matéria não existiria. Então, o que aconteceu?

Um dos jeitos de investigar e descobrir porque a natureza parece preferir a matéria é estudar átomos e compará-los com sua contraparte, os antiátomos. No caso, a ideia é utilizar um dos sistemas mais bem estudados da física, o átomo de hidrogênio, composto de um próton e um elétron, e compará-lo à sua parte contrária, o anti-hidrogênio (feito de um antipróton e um pósitron).

Embora átomos de antimatéria já tivessem sido produzidos no passado, mantê-los intactos por tempo suficiente sempre foi um grande desafio, e somente em 2010 o CERN conseguiu prendê-los pela primeira vez – e por apenas 1/10 de segundo. A dificuldade está na natureza dos objetos de estudo, e o anti-hidrogênio deve ser produzido em uma câmara à vácuo (já que o ar está repleto de partículas de matéria). Mesmo assim, mantê-lo longe de qualquer matéria é tarefa complicada.

Agora, com 16 minutos, os pesquisadores acreditam que será possível medir também outras características da antimatéria – por exemplo, como ela influencia a gravidade – e chegar mais perto de desvendar onde, afinal, estariam estas partículas perdidas do universo.

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Publicado em 06/06/2011, em Ciência e tecnologia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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