Fim de jogo para o bóson de Higgs?

Redação do Site Inovação Tecnológica – 18/10/2011

Fim de jogo para o bóson de Higgs?

Um bóson Z, uma possível cria de um bóson Higgs, decai em dois elétrons (verde) e dois múons (vermelho).[Imagem: CERN]

A massa da matéria

A peça fundamental que está faltando para o modelo da física de partículas está ficando sem lugar para se esconder.

Acostumados com um apregoado “estudo objetivo da matéria”, é quase de espantar que ninguém saiba até hoje o que dá “materialidade” à matéria – até agora, tudo o que os físicos conseguiram encontrar não se distancia muito de um mar de energia.

A peça que está faltando – pelo menos até agora vista como uma peça única – é o famoso bóson de Higgs, já chamada de Partícula de Deus porque se atribui a ela a capacidade de dar massa a toda a matéria.

Data marcada

A localização do bóson de Higgs era um dos resultados mais esperados do Grande Colisor de Hádrons, o LHC, o maior experimento científico da história.

Mas os milhares de físicos trabalhando nos diversos detectores do LHC já descartaram a maior parte das faixas de massa que o bóson de Higgs poderia ter, deixando apenas um estreito segmento ainda a ser pesquisado.

“Se ele existir, ele estará lá. E, se não estiver, saberemos que [o bóson de Higgs] é ficção científica por volta do mês de Dezembro,” afirma Vivek Sharma, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

Sharma é coordenador da equipe internacional que procura o bóson de Higgs no detector CMS, um dos dois maiores instrumentos do LHC – o outro é o Atlas.

Bóson de Higgs

Acelerando prótons ao longo dos 27 quilômetros do anel do LHC, e fazendo-os colidir uns com os outros, os cientistas recriam as condições que se acredita existirem no nascimento do Universo.

Nessas colisões, o bóson de Higgs – se ele realmente existir – deveria aparecer e rapidamente decair em outras partículas mais familiares e facilmente detectáveis pelo CMS e pelo ATLAS.

O problema é que essas colisões já foram feitas e analisadas na maior parte das faixas de massa que o bóson de Higgs poderia ter. E todas foram eliminadas com uma confiabilidade de 95%.

Agora só resta a estreita faixa entre 114 e 145 GeV (giga-elétron volts, uma medida de massa).

Nas próximas semanas, os cientistas vão terminar de coletar e analisar cerca de duas vezes mais dados do que analisaram para eliminar as outras faixas de massa – a coleta de dados deverá estar terminada até o final de Outubro.

“Estamos entrando agora em uma fase muito entusiasmante na caça pelo bóson de Higgs,” disse Sharma.

O que há no horizonte

E, se antes do início dos experimentos, os físicos pensavam em termos de “Onde o bóson de Higgs será encontrado?”, agora a questão que paira no ar é “Será que o bóson de Higgs existe mesmo?”

Qualquer que seja a resposta, será uma resposta histórica: “De uma forma ou de outra, estaremos frente a frente com uma grande descoberta. E isto estará decidido até o final do ano,” reafirma Sharma.

Mas, e se o bóson de Higgs não for encontrado? Então, uma série de hipóteses e novas teorias, que hoje são ditas alternativas, ou especulativas, passarão a receber muito mais atenção.

E os físicos se sentirão encorajados a apresentar ideias ainda mais extravagantes.

Não poderia ser diferente. A história mostra que nenhuma nova teoria ganhou aceitação da comunidade científica sem antes passar pelas provas de fogo do descrédito e do tempo, essencial para que elas sejam “digeridas”.

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Publicado em 29/10/2011, em Ciência e tecnologia. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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