Josiah Willard Gibbs: o mais brilhante joão-ninguém.

Quem Foi?

Josiah Willard Gibbs: o mais brilhante joão-ninguém

Josiah Willard Gibbs revolucionou a física e antecipou trabalhos de Einstein. O problema é que ninguém ficou sabendo.

por Álvaro Oppermann

O cientista americano J. Willard Gibbs foi um dos sujeitos que, no século 19, assentou as bases da física moderna. Mas ninguém ouviu falar dele. Não é de estranhar: Gibbs talvez tenha sido o cientista mais tímido da história contemporânea. Quase nunca arredou pé do lugar em que nasceu, em 1839: morou a vida toda ao lado da Universidade Yale, em Connecticut, EUA, onde lecionava. Vivia a 3 quarteirões da universidade e, a não ser por uma temporada de estudos na Europa – Paris, Berlim e Heidelberg, entre 1866 e 1869 – não se sabe que tenha saído dessa pequena área.

Ao voltar da Europa, Gibbs assumiu a cadeira de física matemática em Yale. E começou a fazer uma descoberta atrás da outra. Entre 1876 e 1878, escreveu uma série de trabalhos geniais sobre termodinâmica, reunidos num volume de nome Sobre o Equilíbrio de Substâncias Heterogêneas. Mostrou que a entropia (a tendência de todas as coisas ao caos) podia ser descrita estatisticamente e aplicada a todas as coisas, de átomos a galáxias. E que, quando levada a um valor máximo, fazia o sistema voltar ao equilíbrio (como se um quarto, de tão bagunçado, voltasse a ficar em ordem). A descoberta era genial, mas o tímido Gibbs decidiu publicá-la numa revista editada pelo seu cunhado, um bibliotecário de Yale, desconhecida até mesmo em Connecticut. Ninguém leu, ninguém ficou sabendo. Quinze anos depois, essas mesmas descobertas seriam feitas por Max Planck, que mais tarde viria a se tornar o fundador da física quântica. Planck ficou estarrecido ao saber que algumas de suas primeiras descobertas haviam sido feitas originalmente pelo americano.

A timidez atrapalhava Gibbs até nas finanças. Nos primeiros 10 anos como professor, não recebeu salário nem reclamou – afinal, sua média de alunos por semestre era pouco superior a um. Solteirão, morava com a irmã e o cunhado e não fazia questão de muito dinheiro. Depois do trabalho sobre entropia, Gibbs inventou o cálculo vetorial (que usou para descrever a órbita de cometas). Em 1901, escreveu um trabalho sobre o comportamento de partículas atômicas. De novo, ninguém leu e, entre 1902 e 1904, as mesmas idéias seriam descobertas por Albert Einstein. Gibbs poderia ter ganhado o Nobel, mas morreu em 1903 quase desconhecido.

Grandes momentos

• Gibbs era de uma família de 7 gerações de eruditos americanos. Seu pai, teólogo em Yale, esteve envolvido no caso Amistad (que inspirou um filme de Steven Spielberg). Geniozinho precoce, J. Willard ganhou prêmios na juventude em matemática e latim.

• Em vida, 3 cientistas o entenderam, todos europeus: o escocês James Clerk Maxwell, o francês Henri Louis le Chatelier e o alemão Wilhelm Ostwald.

• Bill Bryson, autor de Uma Breve História de Quase Tudo, o descreveu como “o mais brilhante ilustre desconhecido da história”.

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Publicado em 06/07/2013, em Conceitos Químicos. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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