Teoria do impacto que criou a Lua: indícios questionáveis

 

Redação do Site Inovação Tecnológica – 06/06/2014

Teoria do impacto que criou a Lua: indícios questionáveis

“A teoria do impacto gigante é uma bela teoria que explica um monte de coisas, mas há esse problema” – entenda-se bem, o problema de que os dados não lhe dão sustentação. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Hipótese sobre a formação da Lua

Os cientistas não sabem como a Lua se formou, mas eles gostam muito de uma teoria – a rigor, uma hipótese – que afirma que um hipotético planeta Teia (ou Theia) se chocou com uma “proto-Terra” e formou nosso satélite.

Se tal colisão ocorreu, os escombros de Teia deveriam constituir cerca de 70% da Lua.

O problema com a teoria é que, até hoje, não se encontraram diferenças significativas nas constituições da Terra e da Lua – ambas têm uma composição muito similar, indicando que a Lua é filha da Terra, ou talvez irmã, sem qualquer sinal de Teia.

Mas isso leva os cientistas de volta à estaca zero, e eles ficam sem nenhuma teoria para explicar o nascimento da Lua a partir da Terra.

Daniel Herwartz, da Universidade de Cologne, na Alemanha, resume bem o sentimento de decepção da comunidade científica a esse respeito: “A teoria do impacto gigante é uma bela teoria que explica um monte de coisas, mas há esse problema” – entenda-se bem, o problema de que os dados não dão sustentação à hipótese.

Busca pela evidência perdida

Agora, Herwartz e seus colegas encontraram um jeito de dar esperança à hipótese e, quem sabe, elevá-la à classe das teorias.

Analisando amostras de rochas trazidas da Lua pelas missões Apolo, e comparando-as com amostras da Terra e de meteoritos, eles encontraram uma pequena diferença entre os raríssimos isótopos oxigênio-17 de lá e de cá.

É fato que as amostras da Lua trazidas pela Apolo vêm sendo estudadas à exaustão há meio século, incluindo comparações de isótopos não apenas do oxigênio, mas também de titânio, silício e vários outros elementos.

Teoria do impacto que criou a Lua: indícios questionáveis

As amostras da Lua trazidas pela Apolo vêm sendo estudadas à exaustão há meio século, incluindo comparações de isótopos não apenas do oxigênio, mas também de titânio, silício e vários outros elementos. [Imagem: Addi Bischoff/Westfalische Wilhelms-Universitat Munster]

Ocorre que as tecnologias de medição melhoraram, o que permitiu agora encontrar uma minúscula diferença, várias casas depois da vírgula.

Os dados da equipe alemã indicam que há 12 partes por milhão (ppm) a mais de oxigênio-17 nas amostras da Lua do que nas rochas da Terra – pense em 0,0012%, ou, para facilitar, pense em encontrar 1.000.000 dos isótopos oxigênio-17 na Terra e 1.000.012 deles na Lua.

Parece muito pouco para sustentar a hipótese do grande impacto, que afirma que a Lua teria algo entre 70% a 90% de Teia e de 10% a 30% da Terra. Mas isso não impediu a equipe de concluir que seus dados “fornecem evidências crescentes” para sustentar a ideia.

Cautela

As ciências planetárias têm sofrido de uma tendência à geração de notícias com embasamentos questionáveis que, ao invés de ajudar a dar suporte a esses estudos, acabam desacreditando todo o campo.

Todos se lembram das “descobertas” de água na Lua, anunciadas com grande esforço de mídia, incluindo conclusões de que a Lua poderia ter água disseminada em todo o seu interior.

Contudo, estudos posteriores que mostraram que os minerais descobertos não se formam na presença de água não mereceram a mesma atenção. Muitos defendem que a Lua não tem água, algo que logo será tirado a limpo, uma vez que a NASA já trabalha na construção de um robô para procurar a água lunar.

A descoberta de água em Marte seguiu rumo semelhante, com anúncios bombásticos feitos pela NASA criteriosamente a cada seis meses – anúncios que só deixaram de ser feitos depois que os cientistas que assinavam estudos desse tipo começaram a tornar-se alvos de piadas e comentários maldosos na própria academia. Sem contar que estudos recentes mostraram que os canais que se acreditava terem sido escavados em Marte por água, mais provavelmente foram criados por lava.

A teoria do impacto de Teia é uma teoria elegante, que poderá encontrar sustentação futura. Mas defendê-la com base em uma diferença de 12 ppm em grânulos de poeira lunar que não se pode considerar como representativos da geologia de toda a Lua parece certamente mais um “exagero científico”.

Bibliografia:
Identification of the giant impactor Theia in lunar rocks
Daniel Herwartz, Andreas Pack, Bjarne Friedrichs, Addi Bischoff
Science
Vol.: 344, Issue 6188 – 1146-1150
DOI: 10.1126/science.1251117

Publicado em 06/06/2014, em Conceitos Químicos. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Lucas Manoel de Albuquerque - 3ºA - Waldomiro Guimarães

    De todos os artigos que eu procurei aqui, esse foi o que mais chamou minha atenção,
    Até porque, todo e qualquer assunto que aborde astronomia, é interessante pra mim.
    Eu ja tinha escutado algo sobre isso, sobre o impacto de Terra e Theia, se não me engano foi em uma visita ao Sabina, foi um fato que me intrigou um pouco
    Assim que eu pesquisei, quando cheguei em casa, tinha visto que Theia e Terra dividiam, quase que a mesma órbita ao redor do Sol
    O que diferia é que Theia teria uma órbita mais “oval” por assim dizer,
    o que acarretaria em um impacto iminente em algum momento.

    Eu aguardo tantas noticias vindas desse assunto,
    Confesso que quero que o fato de que Theia exista seja real,
    por que me faz cogitar o quão incrível seria se por algum motivo tivesse mais de um planeta em determinada órbita,
    Poderiam ser esquematizados viagens entre planetas, ou até ter de fato outras civilizações lá

    mas atualmente isso soa muito fantasioso.
    mas não custa sonhar.

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  2. Luiz Felipe

    Bom, essa teoria é bem explicativa, demonstrando como a Lua pode ter sido criada com um grande impacto entre dois planetas diferentes, e com essa transformação ocorrida pelo planeta nomeado, “Theia ou Teia” e um outro nomeado “Proto-Terra”. Mas acho que essa teoria é meio exagerada, não há como dois planetas se colidirem, se fundirem e se tornarem como um só.
    Mas como se trata apena de uma ipótese ou teoria, posso dizer que se pode um planeta ser criado entre uma colisão de dois outros planetas, então é possivel que outros planetas como por exemplo:Marte,Venus ou até mesmo Jupter, existão apena pelofato de ter ocorrido esse mesmo evento entre dois outros planetas menores!…

    Nome:Luiz Felipe Santos Bicalho. Nº23. Série:3A

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