O mínimo que você precisa saber sobre os Filósofos Pré-Socráticos para não ser um idiota.

Por Kherian Gracher

 

É argumentável que a filosofia nasce com o primeiro ser capaz de elaborar uma linguagem e raciocínios complexos. Como só conhecemos a espécie humana capaz de fazer tal coisa, podemos dizer, por enquanto – ao menos até descobrirmos algum outro ser capaz de tais tipos de raciocínios -, que a filosofia nasce com o ser humano. Pode parecer um pouco presunçosa essa afirmação, mas não é. Aparentemente a filosofia nasce quando o primeiro problema filosófico é formulado. Mas qual a natureza dos problemas filosóficos? Bom, podemos compreender os problemas filosóficos de dois modos.

O primeiro modo é entender que problemas filosóficos são aqueles que nós não temos a capacidade, na época que se pensa sobre esse problema, de oferecer uma resposta definitiva, uma resposta tal que sejamos capazes de averiguar se ela é verdadeira ou falsa. A peça chave para compreendermos esse modo de ver os problemas filosóficos é: um problema filosófico depende do período em que é formulado. Por exemplo, antigamente os seres humanos não tinham um método para averiguar respostas para perguntas como “como água cai do céu?”, “o que é um relâmpago e um trovão no meio de uma tempestade?”, “como as plantas saem da terra?”, etc. Esses tipos de perguntas eram importantes para os primeiros seres humanos. Eles não sabiam responder tais perguntas haja vista que eles não tinham métodos científicos que dispomos hoje. Desse modo, nos primórdios dos seres humanos, tais perguntas podem ser vistas como perguntas filosóficas. Eles careciam de um método para averiguar se possíveis respostas a essas perguntas eram verdadeiras ou falsas. Hoje, por outro lado, temos métodos capazes de explicar tais fenômenos e averiguar a veracidade dessas explicações. Desta forma esses problemas deixaram o campo filosófico, tornando campos separados da filosofia, que hoje chamamos de “ciência”. Esse modo de encarar os problemas filosóficos permite imaginarmos que alguns dos problemas que temos hoje na filosofia podem, em um futuro, deixar de serem tratados pela filosofia. Talvez consigamos um método para averiguar a resposta de certos problemas filosóficos, tornando essas perguntas problemas centrais de outras áreas do conhecimento. Ou seja, talvez problemas atuais que temos na filosofia se tornem, no futuro, a semente de novas ciências.

Por outro lado, podemos entender os problemas filosóficos como problemas que não permitem, seja em que época for, a utilização de um método experimental para averiguarmos suas respostas. Seria da natureza dos problemas filosóficos não permitir um método experimental para respondê-los. Desse modo uma pergunta do tipo “como água cai do céu?” não era, mesmo antigamente, um problema filosófico. Tal problema permite a utilização de um método experimental para averiguarmos suas respostas. Não naquela época, pois eles não tinham, mas a natureza dessa pergunta permite tal método experimental. E é por conta da natureza da pergunta que ela não é filosófica, de acordo com essa interpretação.


Homens pré-históricos já esboçaram o que entendemos hoje por religião. Esse é um forte indício da existência de perguntas filosóficas naquela época.

Deixando essa discussão aparte, nos centremos no por que a filosofia existe desde os primórdios dos seres humanos. Os primeiros registros que temos dos seres humanos os vemos criando sistemas religiosos, ou mesmo se questionando sobre a própria existência. A existência da religião em sociedades primitivas nos fornece um forte indício de que esses homens faziam perguntas filosóficas. Por que existimos? Há alguma coisa que rege o universo? Há alguma estrutura no universo além do que vemos? Esse tipo de pergunta é essencialmente filosófica. São perguntas que tanto carecem, seja naquela época ou mesmo hoje, de métodos experimentais para averiguarmos as respostas. Como eles não tinham boas respostas para tais perguntas, postular a existência de seres divinos era uma alternativa viável. Solucionava os problemas, à primeira vista. Assim nasceram as religiões, como uma explicação para problemas filosóficos.


Grécia antiga, o berço da filosofia ocidental.

Por que, então, vemos pessoas falando que a filosofia nasceu com os gregos? Bom, há melhor explicação para isso é a seguinte. Aparentemente, problemas filosóficos nasceram com os questionamentos naturais do homem, de modo que não podemos apontar um lugar onde ela teria “nascido”. No entanto, a filosofia tal como vemos hoje é fruto de um certo modo de sistematizar e responder aos problemas filosóficos. Com os gregos os problemas filosóficos tomaram um corpo sistematizado. Através deles que começamos a olhar para os problemas e, a partir da natureza de cada tipo de problema, a dividi-los em grupos. Os gregos que, por exemplo, perceberam que um problema sobre a natureza da realidade é diferente de um problema sobre o modo como devemos agir. Além disso, como veremos, com Tales (considerado como o primeiro grande filósofo grego) a explicação de qual é a natureza última do universo tomou um caminho de análise tal que se diferenciava das anteriores, haja vista que não exigia mais uma explicação que recorria a existência de deuses. Devemos notar que isso não significa que Tales não acreditava em entidades místicas ou religiosas. Pelo contrário, os primeiros filósofos gregos tinham teorias extremamente místicas aos olhos de hoje. No entanto, para época em que eles viveram, dar uma explicação para tais problemas, sem recorrer aos mitos da época, era uma revolução no modo de se pensar.


Confúcio, pensador chinês do século V a.C. e considerado um ícone da filosofia oriental.

Devemos notar, contudo, que há métodos filosóficos bem particulares em outras regiões do mundo, como no oriente. Há filósofo orientais anteriores aos filósofos gregos. Todavia, a filosofia grega adotou um posicionamento e uma sistematização no método filosófico que, tal como vemos hoje, deu origem a toda tradição filosófica ocidental. Enquanto isso os filósofo orientais tanto sofreram como também tiveram fortes influências nos costumes religiosos e tradicionais das suas sociedades. Muitos deles tratavam a filosofia como um braço da religião. Os gregos, por sua vez, adotaram uma posição diferente. A religião predominante na Grécia era recheada de mitos, algo que os primeiros filósofos gregos tentaram rejeitar como respostas para os problemas filosóficos.

Do Mito ao Logos

A primeira coisa que vemos em cadernos de história da filosofia é a famosa passagem “do mito ao logos”. Basicamente o que essa passagem representa é o nascimento da tradição filosófica ocidental. Como dito anteriormente, os primeiros filósofos começaram a rejeitar os mitos religiosos como respostas para problemas filosóficos. Os mitos deixaram de ser respostas plausíveis, dando lugar ao logos, ou seja, a razão. Mas, o que isso quer dizer? Os primeiros filósofos começaram a oferecer respostas que visavam ordenar o universo através de princípios básicos. Tais princípios não recorriam a mitos, no entanto eles tinham, por vezes, propriedades místicas. Assim todo o universo adquiria ordem, tornava-se um “Cosmos”, um local organizado por princípios reguladores e, além disso, previsível.


Logos, do grego, significava em um primeiro momento a palavra escrita ou falada. No entanto, esse termo adquiriu outro significado com os filósofos. Assim, entende-se “logos” como a razão, a capacidade de racionalizar.


Cosmos, do grego, significa a totalidade das coisas, o universo, posto de modo ordenado, organizado e harmônico.


Dizem, por conta disso, que a filosofia é a mãe de todas as ciências. Essa afirmação não é, vista por esse ângulo, falsa. Os primeiros filósofos gregos propunham um modo de se observar e analisar a natureza tal que ela pudesse ser explicada pela razão, e não recorrendo a mitos religiosos. Esse modo de encarar o mundo foi fundamental no desenvolvimento de todas as ciências. As primeiras perguntas filosóficas eram, aos olhos de hoje, perguntas que misturavam filosofia e ciência. A primeira ciência a se desvencilhar da filosofia foi a matemática (a entendendo como uma ciência “pura”), posteriormente foi a física. Nos tempos modernos temos o exemplo da química, da biologia e, por fim, a psicologia. No início, lá na Grécia Antiga, essas áreas eram todas misturadas. Mas, o que toda ciência deve à filosofia foi o modo como ela nos permitiu encarar a natureza.

Primeiros Filósofos Ocidentais

A história da filosofia grega é dividida em duas partes, tendo como ponto central a figura do filósofo Sócrates. Tamanha é a importância de Sócrates para a história da filosofia que os filósofos anteriores a ele são atualmente chamados de “pré-socráticos”. A frente veremos o porquê Sócrates é tão fundamental para a história da filosofia. Mas, por hora, vamos tratar apenas de alguns filósofos pré-socráticos.

Aristóteles, que além de um dos maiores filósofos gregos, foi também um dos maiores cientistas que a humanidade já produziu. Seus trabalhos se estendem para o desenvolvimento da Lógica, da Física, da taxionomia biológica e, além disso tudo, foi um dos primeiros historiadores da filosofia. Muito do que será falado acerca dos primeiros filósofos sobreviveram ao tempo por conta de Aristóteles. Esses filósofos fizeram obras que se perderam na história, mas com os trabalhos de Aristóteles para apresentar e comentá-los nós temos material para entendê-los. Em seus trabalhos de análise sobre os filósofos anteriores, Aristóteles basicamente entendia que a filosofia tratava de investigação sobre as causas das coisas. Haveria para ele quatro tipos diferentes de causas:

  1. Causa material.
  2. Causa eficiente.
  3. Causa formal.
  4. Causa final.

Para entendermos essas quatro causas, a grosso modo, podemos recorrer a um exemplo. Pense que sua avó quer fazer um bolo para o café da tarde. A primeira coisa que ela faz é reunir os ingredientes. Esses ingredientes são a causa material do bolo. Sua avó, cozinheira de mão cheia, é aquela que de modo divino irá misturar e preparar com eficiência o bolo. Ela, desse modo, é a causa eficiente desse bolo. No entanto, sua avó já não tem uma boa memória (sabe como é a idade, né?), de modo que ela recorre ao velho caderno de receitas. A receita seria, então, a causa formal do bolo. Enfim o bolo já está cheirando no forno, mas para que ele servirá? Bom, esse bolo é para saciar sua fome na hora do café da tarde. Saciar a fome, desse modo, é a causa final do bolo. A existência desse bolo então tem como causa material os ingredientes, como causa eficiente a sua avó, a causa formal a receita, ou o modo como deve ser preparado e, por fim, a causa final, ou a finalidade de saciar a fome.

De acordo com a análise de Aristóteles os primeiros filósofos tentavam analisar a natureza de modo a ordená-la em princípios básicos. Esses princípios, por sua vez, recorriam a uma dessas quatro causas. Uns ofereciam como resposta ao problema de entendermos a estrutura fundamental do universo uma causa material, ou seja, apelavam para qual material o universo era formado. Outros, por sua vez, respondiam esse problema respondendo quem era a causa eficiente, quem ordenou o universo. Alguns ainda respondiam esse problema apelando para forma que o universo se estruturava, oferecendo uma causa formal. E, por fim, Aristóteles propôs uma análise teleológica do universo, explicando a finalidade dele, ou seja, uma causa final. Vejamos brevemente o que os principais filósofos do período pré-socrático propuseram e teorizaram. E, se possível, vejamos como essa análise de Aristóteles pode ser aplicada.


Teleologia, do grego, significa estudo das finalidades, do propósito ou mesmo dos objetivos de algo.


Tales

Tales de Mileto (c. 625-545) é conhecido como o pai fundador da filosofia grega. Mas, além dessas considerações, era também geômetra. É considerado o primeiro a descobrir o método de inscrever um triângulo-retângulo em um círculo; também de calcular a altura das pirâmides ao medir a sombra que projetavam no momento do dia em que a sua própria sombra era igual a sua altura; e usar a geometria na prática, provando que triângulos com um lado e dois ângulos iguais são congruentes e usando isso para determinar a distância de navios no mar. Ele era astrônomo e também meteorologista, dizem que previa eclipses, provou que um ano tinha 365 dias e identificar os dias dos solstício de verão – dia que o sol fica mais tempo visível no céu – e do inverno – dia que o sol fica menos tempo visível no céu. Não sabemos até que ponto essas e outras histórias são verdadeiras, mas se ele fez metade do que se conta, ele era um homem extraordinário. Infelizmente nos restam apenas dois ditos desse filósofo. Esses ditos misturam ciência e religião, o que mostra quanto a filosofia em sua gênese era, ainda, influenciada pelo misticismo.

“Todas as coisas estão cheias de deuses”
“A água é o princípio único de tudo”

Tales de Mileto

A filosofia de Tales, mesmo na antiguidade, era de difícil acesso. Não era fácil entender porque Tales adotou a água como princípio do universo. De acordo com ele a terra repousava sobre a água, tal como um pedaço de madeira flutuando na correnteza. Todavia, podemos perguntar: sobre o que a água repousa? Tales vai além e afirma que tudo, de algum modo, veio da água e, de alguma maneira, é feito de água. Aristóteles, ao analisar a teoria de Tales, supôs que tal afirmação era em virtude da necessidade dos seres vivos para com a água. No entanto, podemos perceber que Tales era obscuro e ainda influenciado por misticismos. Isso, de forma alguma, diminui sua importância na história da filosofia. Oferecer um princípio tal que não era reduzido aos mitos religiosos de sua época, tentando fundamentar sua teoria apelando para a razão (ainda que com influência místicas), foi revolucionário. A filosofia, e até mesmo a ciência, deve muito a ele.

Anaximandro


Anaximandro representado em um mosaico romano com seu relógio solar.

Anaximandro de Mileto (c. ???-547 a.C.), também considerado um dos precursores da filosofia, também era um homem com mil facetas. Credita-se a ele o primeiro mapa-múndi, a primeira carta celeste e até mesmo o primeiro relógio de sol grego. Ele defendia que a terra tinha uma forma cilíndrica, como uma coluna com altura três vezes maior que sua largura. Ao redor do mundo havia tubos gigantes com fogo, e neles havia buracos por onde se enxergava o fogo a partir do exterior. Esses buracos seriam o sol, a lua e as estrelas. As obstruções dos buracos eram os eclipses do sol e as fases da lua. Diferente de Tales, sabemos mais a respeito de Anaximandro em virtude dele ter deixado um livro intitulado Sobre a Natureza. Sua teoria cosmológica, diferente de Tales, é mais elaborada. Ele não procura por algo que sustente a terra, pois devido à sua equidistância de tudo o mais ela permanece onde está não havendo forças ou razões que a façam se mover.

Anaximandro, em sua teoria filosófica, julgava ser um erro entender que a realidade era forjada, ou seja, que tinha uma causa material através de qualquer um dos elementos que podemos ver ao nosso redor. Assim, afirmava ele, que o princípio fundamental das coisas deveria ser algo ilimitado, indefinido, ou como o termo usado por ele no grego, deveria ser apeíron.


Apeíron, do grego, pode ser entendido como aquilo que não tem começo ou fim no tempo, tampouco pertencia a alguma classe de coisas particulares. Uma paráfrase próxima da ideia que Anaximandro tinha acerca do apeíron seria “matéria eterna”.


 

Além da matéria prima do universo – o Apeíron – que seria a causa material, Anaximandro oferece uma abordagem sobre a causa eficiente. De acordo com sua teoria, o universo era um campo de forças contrárias em competição tal que trouxeram o mundo à existência. Essas forças opostas manteriam um princípio de reciprocidade, no qual hora um sobrepujava o outro, e hora havia uma inversão de papéis.

Anaxímenes


Anaxímenes de Mileto (c. 588-524 a.C.), o último filósofo do trio de cosmólogos de Mileto.

Anaxímenes de Mileto, que teve seus trabalhos mais fluentes por volta de 546-525 a.C., era mais novo que Anaximandro e, ainda assim, mais próximo do pensamento de Tales. Ele é o terceiro e último grande cosmólogo de Mileto, e como Tales ele defendia que a terra deveria repousar sobre algo. No entanto, diferente de Tales, o elemento primordial era o ar, e não a água. E a terra e os corpos celestes tinham forma plana. Esses últimos circulavam horizontalmente em volta da terra. O ar, em estado estável, seria invisível. Mas, de acordo com Anaxímenes, quando há movimento ele se condensa e primeiro se torna vento, em seguida nuvem, depois água e, por fim, a água condensada se torna lama e pedra. O ar rarefeito, por sua vez, tornava-se fogo. Assim, apenas com a noção de condensação e rarefação, Anaxímenes tentava explicar como tudo surgiu. Para dar suporte as suas afirmações, Anaxímenes recorre a uma pequena experiência que você pode fazer aí. Primeiro, sopre sua mão com os lábio cerrados, depois sopre sua mão com a boca aberta (se alguém estiver vendo, finja que está fazendo algo natural). Da primeira vez o ar será frio, da segunda o ar será quente. Segundo o argumento de Anaxímenes, isso demostra que há uma conexão entre a densidade e a temperatura.

Podemos ver que havia em Anaxímenes, com essas tentativas de experimentos para justificar racionalmente suas teorias, uma protociência. Ele era, potencialmente, um cientista. Esse experimento pode nos parecer um pouco infantil, mas devemos pensar que eles viviam em um período onde não havia tecnologia científica para fazer experimentos. Eles ao menos tentaram justificar racionalmente suas crenças usando daquilo que tinham em mãos, sem recorrer para sistemas religiosos ou mitos amplamente aceitos na sociedade em que viviam.

Pitágoras


Pitágoras de Samos, filósofo e matemático grego nascido na ilha de Samos.

Tanto Pitágoras de Samos (c. 570-496 a.C.) como Tales dividiram as honras de introduzir a filosofia na Grécia antiga. Além de filósofo, Pitágoras também foi um exímio matemático. Você deve lembrar do Teorema de Pitágoras. Na cidade de Crotona, Pitágoras fundou uma comunidade semi-religiosa, que durou até 450 a.C., ou seja, posterior a sua morte. É atribuído a ele a invenção do termo “filósofo”. Conta-se que uma certa vez, em vez de se declarar como sábio (sophos), Pitágoras teria dito com modéstia que era apenas um amante da filosofia (philosophos).


Galileu Galilei, que como Pitágoras acreditava que o universo se comportava de tal modo que apenas com a matemática podíamos compreendê-lo.

As teorias propostas por Pitágoras envolviam matemática e misticismo, algo que influenciou o pensamento grego durante quase toda antiguidade. Os “pitagóricos”, como eram chamados aqueles que seguiam Pitágoras, haviam descoberto uma relação entre intervalos musicais e razões numéricas. Tal descoberta os levou a acreditar que havia uma estrutura subjacente na natureza, estrutura essa matemática, que seria a peça-chave para entendermos o Cosmos e toda a sua organização. Como dito por Platão, para eles a astronomia e a harmonia eram ciências irmãs, uma para os olhos e outra para os ouvidos. Tal tentativa de explicar a natureza por causas formais, analisando a estrutura matemática do mundo, foi feita dois mil anos antes de Galileu. Esse cientista do renascimento foi um dos que apresentaram boas razões para aceitarmos que, em certo sentido, “o livro do universo está escrito em números”.

Xenófanes


A descoberta dos fósseis deve-se a Xenófanes.

Mileto havia sido destruída e a morte de Pitágoras, por volta de 494 a.C., marcaram o final do primeiro período do pensamento pré-socrático. O próximo nome digno de nota foi Xenófanes (c. 570-470 a.C.), um cara que viveu muito para época. Esse filósofo de longa vida também propôs uma cosmologia, todavia, o elemento primordial do universo era a terra. De acordo com ele, a terra vai dos nossos pés ao infinito. Uma famosa frase de Xenófanes é que “tudo vem a terra e na terra tudo terminará”. Se você for católico, ou viveu em algum ambiente católico, já deve ter ouvido uma frase parecida na quarta-feira de cinzas: “recorda-te que és pó e ao pó tornarás”. Em alguns momentos Xenófanes une a água com a terra como material primordial para a criação da terra. Tal união se deve para uma das mais importantes descobertas científicas feitas por ele, a existência de fósseis. Ao encontrar conchas marinhas em terrenos distantes do continente ele conjecturou a hipótese de que a terra, outrora, foi coberta pelo mar.

Sua teoria cosmológica, por outro lado, deixa muito a desejar. Como a terra se prolongava ao infinito, o Sol não poderia descer a terra para fazer o movimento de nascer e pôr. Para solucionar esse problema, Xenófanes defendia que cada dia tínhamos um novo Sol. Concluía com isso que existiam inúmeros sóis, e a impressão do movimento circular se dava apenas pela longa distância que esses sóis passavam. Outras teorias científicas imputadas à Xenófanes, por outro lado, podem parecer impressionante haja vista o naturalismo adotado por ele.

Heráclito


Heráclito de Éfeso, o Enigmático ou o Obscuro.

Heráclito de Éfeso, que provavelmente era 30 anos mais novo que Xenófanes, foi um dos filósofos que mais obras chegaram até a posteridade. No entanto, na própria antiguidade ele era apelidado de “o Enigmático” e “Heráclito, o Obscuro”, que dá bons indícios sobre a dificuldade de entendermos sua obra.

Tal como Xenófanes, Heráclito também acreditava que todo dia um novo Sol aparecia no céu, e como Anaximandro ele afirmava que o Sol era constrangido por um princípio cósmico. Essas teorias se desenvolveram com Heráclito para uma doutrina do fluxo universal: Tudo, afirmava ele, está em movimento, nada permanece imóvel; o cosmos é como uma correnteza. Como diz o famoso exemplo que visa representar a teoria heraclítica, se entrarmos duas vezes em um mesmo rio, não poderemos pôr nossos pés duas vezes na mesma água, dado que a água não será a mesma nesses dois momentos. Mas, além disso, não poderíamos pisar duas vezes no mesmo rio. Essa segunda passagem não parece fazer sentido, mas isso se entendermos que o que identifica um rio é seu curso. Caso entendamos que um rio é identificado pelo seu conteúdo, então o rio estaria em um constante movimento. Esse exemplo é uma alegoria para afirmar que a realidade é uma constante mudança.

Qual seria então a causa material da realidade para Heráclito? O fogo, que seria uma corrente fluida, um modelo de mudança constante, consumindo-se e revigorando-se. O que governa esse mundo em constante mudança, ou seja, a causa eficiente? O Logos, a razão e ordem necessária para manter o equilíbrio em um mundo de mudanças. O cosmos seria, então, uma constante mudança, resultado de uma luta entre forças naturais opostas, estruturados pelo Logos.

Parmênides

Parmênides de Eléia (c. 530-460 a.C.), foi o patrono da escola italiana de filosofia. Em oposição à Heráclito, Parmênides defendia que o universo é estático, não estava em constante movimento, e que o mundo como observamos é uma ilusão, apenas uma aparência. Grande parte de seu trabalho foi perdido com o tempo – apenas 120 linhas de um de seus diversos poemas, nos quais ele apresentava sua teoria, chagaram até nós.


Parmênides de Eléia, patrono da escola italiana de filosofia.

Parmênides é considerado o criador da área da filosofia chamada “Ontologia”, uma das sub-áreas da Metafísica. Esta área seria um estudo sobre o Ser, isto é, sobre a existência e inexistência dos objetos. Tudo o que existe e pode ser pensado é, de acordo com a teoria de Parmênides, o Ser. Esse Ser é indivisível, não possui começo ou fim e, além disso, não é sujeito ao tempo. Podemos criar um exemplo metafórico para explicar a tese de Parmênides e, com esse exemplo, contrastá-la com a tese de Heráclito. Pense em um pouco de água sendo fervida em uma chaleira até que toda a água seja evaporada. De acordo com tese de Heráclito, aplicado nesse exemplo, poderíamos dizer que houve diversas mudanças substanciais no Ser que compõe a água, tornando-o não-ser. Isto é, esse processo representa a morte da água, passando da existência para a não-existência. Contudo, Parmênides rejeita essa tese, afirmando que essa “morte” da água é apenas aparência, uma mera ilusão. A água não foi perdida ou transformou-se em não-ser. Essa mudança é apenas uma alteração no próprio Ser. Ela não deixou de existir, ela só mudou. Parmênides vai além, afirmando que essa própria mudança no Ser é uma ilusão. Na verdade não há mudanças, pois o Ser é eternamente o mesmo e o próprio tempo, o passado, o presente e o futuro são uma e a mesma coisa.

Zenão de Eléia, discípulo de Parmênides, produziu célebres argumentos a favor da tese de seu mestre. Um dos mais famosos e interessante é o chamado “Paradoxo de Zenão”, e é expresso por duas simples frases:

“Não há movimento, pois qualquer coisa que se mova tem de chegar à metade de seu percurso antes de chegar a seu fim”

“O lerdo jamais será ultrapassado pelo ágil, pois o perseguidor deve chegar ao ponto de onde o fugitivo partiu, de forma que o lerdo deve necessariamente permanecer à frente”

Zenão de Eléia

O argumento que se criou com essas frases, o paradoxo de Zenão, pode ser apresentado da seguinte forma. Imagine que gostaríamos de atirar uma flecha em um alvo, a uns 10 metros de distância. Para essa flecha atingir o alvo ela deverá percorrer a metade do percurso, ou seja, 5 metros. Depois disso ela deverá percorrer a próxima metade do percurso, 2 metros e meio. Novamente ela deverá percorrer a metade do caminho, 1 metro e 25 centímetros. Eis que mais uma vez ela deverá percorrer a metade desse caminho, e do próximo, e do próximo, e assim em diante, até o infinito. A flecha, sendo um corpo finito e com capacidade de percorrer distâncias finitas, jamais seria capaz de percorrer todo o infinito percurso. Todavia, nós observamos a flecha percorrer todo o percurso. Deste modo, se a matemática está correta em afirmar que podemos dividir infinitamente os números, a realidade é uma ilusão. Ou seja, estamos no dilema de aceitar a matemática como correta e a realidade como mera ilusão, ou que a matemática é falha e devemos dar suporte as evidências do mundo. Como não temos fortes indícios para supor que a matemática é falha, só pode ser o caso do mundo ser uma ilusão, uma mera aparência.

Esse paradoxo de Zenão colocou um problema tanto para os matemáticos como para os filósofos. Os filósofos se preocupavam em justificar como a realidade não era uma mera aparência, e os matemáticos deveriam dar uma explicação de como uma flecha consegue percorrer todo esse percurso sem que isso incorresse no problema apresentado pelo paradoxo. A solução para isso só apareceu a mais de mil anos depois de Parmênides e Zenão, com o Sir Isaac Newton e Gottfried Leibniz, através do Cálculo Diferencial e Integral.

Empédocles

Empédocles (c. 495/90-435/30 a.C.), nascido na cidade de Acragas, atual Agrigento, é outro filósofo da Itália grega. Além de filósofo, Empédocles colecionava profissões. Era médico, legislador, poeta, professor, mítico e profeta. Infelizmente, grande parte da obra desse filósofo foi perdida, mas ainda nos resta alguns fragmentos. A sua tese filosófica pode ser encarada como uma síntese de alguns filósofos anteriores. Enquanto alguns dos filósofos pré-socráticos, anteriores a Empédocles, escolhiam certas substâncias como princípio básico ou dominante no cosmos, para Empédocles todas as quatro substâncias eram essenciais e igualmente dispostas. Os quatro elementos eram como ingredientes fundamentais, “raízes” do Cosmos, e eles sempre existiram. Estas substâncias se misturavam de formas e proporções variadas, produzindo assim o mundo tal como conhecemos. Conforme ele diz em um trecho de um dos seus poemas:

“Desses quatro saiu tudo o que foi, é e sempre será:
Árvores, animais e seres humanos, machos e fêmeas todos,
Pássaros do ar e peixes gerados pela água brilhante;
Os envelhecidos deuses também, de há muito louvados nas alturas.
Estes quatro são tudo o que há, cada um se entranhando no outro
E, ao misturar-se, variedade ao mundo dando.”
Empédocles

Filósofos e cientistas atribuíram à Empédocles o quarteto de elementos primordiais que, até naquela época, era essencial para a física e para a química – isso até o desenvolvimento da química moderna, com o químico do século XVII, Robert Boyle. Para Empédocles, o que movia o desenvolvimento e a mistura desses elementos, transformando a matéria e criando a vida, eram duas forças, nomeadamente, o Amor e o Ódio. O amor unia os elementos, e o Ódio os separava.

Para explicar a origem das espécies vivas, Empédocles propôs uma interessante teoria da evolução a partir da sobrevivência dos mais aptos. De acordo com a interessante, mas bizarra teoria da evolução dele, no começo surgiram a carne e os ossos através da combinação dos elementos. A partir deles foram se formando os membros e órgãos do corpo, no entanto eles não estavam unidos. Olhos fora das cavidades oculares, braços sem ombros e rostos sem pescoços. Esses órgãos vagaram durante o tempo até encontrar pares ao acaso, fazendo diversas uniões que, no início, foram inadequadas. Eis que monstros apareceram: homens com cabeça de outros animais, animais com membros humanos, etc. A maioria desses organismos eram frágeis ou estéreis, e somente os mais aptos, com uma estrutura melhor formada, foram capazes de sobreviver e se perpetuar. Ainda que essa teoria da evolução seja absurda a nossos olhos, a ideia de sobrevivência dos mais aptos desenvolvida por Empédocles é, de modo ingênuo, a mesma que o biólogo Charles Darwin utilizou.

Anaxágoras (c. 500-428 a.C.), nascido em Clazômenas, foi outro filósofo pré-socrático que é atribuida alguma teoria da ciência contemporânea. Enquanto que Empédocles é considerado o precursor da teoria darwiniana, Anaxágoras é considerado o precursor da teoria do Big Bang. De acordo com sua tese cosmológica, no início todas as coisas estavam juntas, e infinitas em quantidade e pequenez.

“Todas as coisas estavam juntas, infinitas em quantidade e infinitas em pequenez; pois o pequeno era também o infinito. E, estando todas as coisas juntas, nenhuma era reconhecível por sua pequenez. Tudo se situava entre ar e éter, ambos infinitos”

Anaxágoras

No entanto, em algum momento, essa partícula fundamental começou a girar e expulsou o éter e ar circundantes, formando a partir deles os corpos celestes, as estrelas, o sol e a lua. Essa rotação gerou a separação do denso e do raro, do calor e do frio, do seco e do molhado e do claro e do escuro. Essa separação, contudo, nunca se completou. O universo continuaria em expansão e essas separações continuam a acontecer e irão continuar para sempre. Com essa teoria, antecipando Giordano Bruno, Anaxágoras propôs que o nosso cosmos é apenas um entre muitos. Mas o que gerou e pôs em curso o desenvolvimento do universo? Anaxágoras responde que é a Mente.

“Todas as coisas estavam juntas; então veio a Mente e lhes deu ordem”

Anaxágoras

Essa mente seria infinita e separada, não fazendo parte na composição inicial dos elementos, pois se fizesse parte ela teria passado por esse processo evolutivo, seria sujeita as mudanças ocorridas. A Mente, nesse caso, tomava um lugar essencial, com uma natureza mística – quase divina. Uma outra tese interessante defendida por Anaxágoras era que o Sol tinha como natureza ser uma massa de metal incandescente, maior que o Peloponeso.

Atomistas

O atomismo foi uma escola filosófica pré-socrática amplamente difundida por Demócrito de Abdera (c. 460-370 a.C.) e seu mentor, Leucipo de Mileto, que viveu na primeira metade do século V a.C. Sobre Leucipo soubemos pouco, podendo ser ele o verdadeiro criador do atomismo. No entanto, é com as obras de Demócrito que conhecemos essa escola filosófica.


Demócrito de Abdera, filósofo atomista do período pré-socrático

A última, e uma das mais impressionantes antecipações da ciência moderna na era pré-socrática foi proposta pelo atomismo. A tese fundamental do atomismo, tal como apresentada por Demócrito, é que a matéria não era infinitamente divisível. Não sabemos qual era o argumento usado por Demócrito para defender tal tese, mas Aristóteles conjecturou que seria algo do seguinte tipo. Se tomarmos uma quantidade de matéria, seja de qual tipo que for, e fizermos o papel de ir dividindo-a em pequenos pedaços, o máximo possível, seremos obrigados a parar em algum ponto, em minúsculos corpos de matéria que são indivisíveis. Ou seja, iremos parar no que ele chamava de “átomos”.


Átomos, do grego, significa indivisível ou não-divisível.

 


Se supormos que a matéria é infinitamente divisível, o que aconteceria se prosseguíssemos na divisão? Se qualquer uma dessas infinitas quantidades de partes tiver qualquer grandeza, então irá se seguir que ela deverá ainda ser divisível. Mas, se por outro lado, as partes restantes não tiverem grandeza, então elas não poderiam ser juntadas em qualquer quantidade, pois zero multiplicado por infinito continua sendo zero. Devemos concluir, acreditava Demócrito, que a divisibilidade da matéria chega a um fim. Esses fragmentos indivisíveis são os átomos.

Nós não podemos observar os átomos diretamente, pois eles não seriam detectados pelos nosso sentidos. Esses átomos eram infinitos em quantidades e aparecem em infinitas variedades, tendo existido desde sempre. Além disso, Demócrito também aceitava a existência do vácuo. No início, acreditava Demócrito, tudo era vácuo e átomos. Esses átomos apareceriam em formas, ordens e posições diferentes. Os objetos foram se formando pela colisão e aglutinação randômica dos átomos. Com o atomismo, Demócrito esperava explicar a existência de todo o universo e aquilo que existia. Outra tese defendida por Demócrito, à semelhança de Anaxágoras, era a existência de uma pluralidade de mundos, de diversas formas e composições. O atomismo foi, sem dúvida, uma teoria extremamente interessante a luz do que a ciência moderna nos apresenta.

Sofistas

Os sofistas não podem ser considerados filósofos, mas também não podemos desconsidera-los na história da filosofia. Os sofistas podem ser encarados com profissionais da retórica, especializados nos mais diversos assuntos: de filosofia a matemática, da música a astronomia, de história a literatura e mitologia. Eles eram contratados como professores e ensinavam o que era solicitado. Eles praticavam, muitas vezes, da advocacia. Alguns desses sofistas ficaram famosos, como é o caso e Protágoras, que dizia ser capaz de poder transformar o pior argumento no melhor. Uma das interpretações dessa afirmação de Protágoras era que ele seria capaz de fazer o errado parecer certo, como avaliava Aristófanes e Aristóteles.

Uma história interessante sobre Protágoras teria acontecido quando um discípulo seu, Evalto, teria se recusado a pagar seu mestre por alegar não conseguir vencer nenhuma das causas. Teria dito Protágoras: “Bem, se eu vencer esta causa, você deverá me pagar em razão de o veredito ter sido em meu favor; mas, se você vencer essa causa, ainda assim terá de me pagar, pois enfim você venceu uma causa.”

Os sofistas foram considerados inimigos da filosofia, principalmente pelo combate aos sofistas que aparecem nos diálogos de Platão. Os filósofos tinham aversão aos sofistas por considerá-los inimigos da verdade. Eles não estariam, conforme pensava Sócrates e os filósofos daquele período, preocupados em encontrar a verdade e procurarem ser corretos; mas se preocupavam apenas na quantia que iriam receber, seja defendendo um lado ou outro, ou seja, seja defendendo a verdade ou o erro e a falsidade. Assim, acreditavam os filósofos, eles privilegiavam o status social e o dinheiro em detrimento da verdade.

Se o julgamento dos filósofos daquele período é correto ou não, isso é até hoje debatido. No entanto, os sofistas desempenharam um grande papel na história da filosofia. Muitos argumentos que apoiavam o relativismo (como a famosa frase de protágoras: “o homem é a medida de todas as coisas, das coisa que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”), ou que punham em destaque certos conceitos filosóficos, foram apresentados por eles. Muitas vezes a motivação de certas discussões que filósofos davam atenção foram propostos pelos sofistas. Seja como for, sejam os sofistas vilões ou mocinhos, eles foram importantes na história da filosofia.

Por fim…

Os filósofos pré-socráticos podem nos parecer obscuros e místicos aos nossos olhos, mas não devemos retirar a importância e contribuição que eles tiveram em todo o desenvolvimento do pensamento humano. Com eles tivemos a gênese não só da filosofia, mas de várias ciências. Cada um à sua maneira eles tentaram, através da razão, explicar como se comportava o universo, o cosmos.

Segue abaixo um pequeno resumo com as ideias gerais:

Tales: Tudo é água;
Anaximandro: Tudo é matéria eterna (apeíron);
Anaxímenes: Tudo é ar;
Pitágoras: Tudo é uma harmonia numérica;
Xenófanes: Tudo é terra;
Heráclito: Tudo é fogo, é movimento;
Parmênides: Tudo é um Ser indivisível e imóvel;
Empédocles: Tudo é porção de água, ar, fogo e terra,
reunidos conforme o Amor e o Ódio;
Anaxágoras: Tudo foi e é criado pela ação da Mente
sobre os elementos fundamentais do cosmos;
Atomismo: Tudo é matéria indivisível [átomos].

Espero que tenham gostado dessa introdução aos filósofos Pré-Socráticos. Mandem suas opiniões…

Publicado em 24/05/2016, em Conceitos Químicos. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: