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Núcleo atômico em forma de pêra …

Investigadores descobrem núcleo de átomo em forma de pêra

2013-05-09

 

Representação gráfica do núcleo em forma de pêra (Imagem: Liam Gaffney e Peter Butler/University of Liverpool)

Representação gráfica do núcleo em forma de pêra (Imagem: Liam Gaffney e Peter Butler/University of Liverpool)

Um grupo de investigadores da Universidade de Liverpool (Reino Unido), descobriu um núcleo de átomo com o formato de uma pêra – forma já prevista na teoria, mas nunca avistada – no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN).
Com o acelerador de partículas Isolde para medir os padrões da radiação eletromagnética conseguiram identificar o formato. O estudo vem publicado na revista «Nature».

Até à data, apenas eram conhecidos os núcleos esféricos ou ovalados. Segundo a equipa liderada por Liam Gaffney e Peter Butler, o formato é determinado pela interação entre as partículas que o compõem, os prótons e os nêutrons. Quando a relação entre essas partículas é bem equilibrada, o núcleo assume formas mais típicas e já conhecidas.
A teoria diz que quando os átomos ficam pesados e instáveis, tal como é o caso de alguns elementos radioativos, este resultado pode ocorrer naturalmente. O átomo e os elementos isótopos de radónio-220 e de rádio-224 foram os objetos do estudo.
Os cientistas afirmam que a descoberta é importante para a física teórica porque melhora a compreensão da ciência sobre a estrutura dos átomos.

Partícula nova é tanto matéria quanto antimatéria

 

Pesquisadores veem assinatura de “partículas de Majorana” em ferro supercondutor

Yazdani Lab, Princeton University

Físicos usaram um microscópio de tunelamento por varredura para produzir imagens de uma fina cadeia de átomos de ferro disposta sobre a superfície de um supercondutor de chumbo (barra amarela). As cores da imagem representam a probabilidade quântica de qualquer local conter uma partícula de Majorana, que é tanto matéria quanto antimatéria. A porção ampliada mostra que a probabilidade de encontrar uma partícula de Majorana aumenta muito nas extremidades do fio, como previsto em teoria.

Por Clara Moskowitz
Desde a década de 30, cientistas procuram partículas que sejam ao mesmo tempo matéria e antimatéria. Agora físicos encontraram fortes evidências de uma entidade desse tipo dentro de um material supercondutor. A descoberta poderia representar a primeira “partícula de Majorana”, e poderia ajudar pesquisadores a codificar informações para computadores quânticos.
Físicos acreditam que todas as partículas de matéria tenham uma contraparte de antimatéria com massa igual, mas carga diferente. Quando a matéria encontra seu equivalente de antimatéria, as duas se aniquilam.
De acordo com uma previsão realizada em 1937 pelo físico italiano Ettore Majorana, porém, algumas partículas podem ser suas próprias parceiras de antimatéria. Pela primeira vez pesquisadores declararam ter produzido imagens de uma dessas partículas de Majorana, relatando suas descobertas em 3 de outubro, na Science.
A nova partícula de Majorana apareceu em supercondutor, material em que o livre movimento de elétrons permite que a eletricidade flua sem resistência.
A equipe de pesquisa, conduzida por Ali Yazdani da Princeton University, posicionou uma longa cadeia de átomos de ferro, magnetizável, sobre a superfície de um supercondutor feito de chumbo.
O magnetismo normalmente prejudica supercondutores, que dependem da ausência de campos magnéticos para que seus elétrons fluam livremente. Nesse caso, porém, o campo magnético se transformou em um tipo especial de supercondutor, em que elétrons próximos uns dos outros coordenavam seus spins para satisfazer simultaneamente as exigências de magnetismo e supercondutividade.
Cada um desses pares pode ser entendido como um elétron e um antielétron, com carga negativa e positiva, respectivamente. Mas esse arranjo deixa um elétron em cada ponta da cadeia sem par, fazendo com que assumam as propriedades tanto de elétrons quanto de antielétrons – em outras palavras, de partículas de Majorana. 
Assim como partículas no vácuo, sem contato com outros tipos de matéria, essas entidades são chamadas de “partículas emergentes”. Elas emergem das propriedades coletivas da matéria adjacente e não poderiam existir fora do supercondutor.
O novo estudo mostra uma assinatura convincente de partículas de Majorana, declara Leo Kouwenhoven da Universidade de Tecnologia Delft, na Holanda, que não se envolveu na pesquisa mas que encontrou sinais de partículas de Majorana em um arranjo supercondutor diferente. “Mas para realmente falarmos sobre provas completas e evidências sem ambiguidade, precisaríamos de um teste”.
Esse teste, explica ele, deve mostrar que as partículas não obedecem às leis normais das duas classes de partículas conhecidas na natureza – férmions (prótons, elétrons e a maioria das partículas com que estamos acostumados) e bósons (fótons e outras partículas que carregam forças, incluindo o bóson de Higgs). “A melhor coisa das Majoranas é que elas podem ser uma nova classe de partícula”, adiciona Kouwenhoven. “Se for encontrada uma nova classe de partículas, adiciona-se um novo capítulo à física”.
O físico Jason Alicea do Instituto de Tecnologia da Califórnia, que também não participou da pesquisa, declara que o estudo oferece “evidências convincentes” de partículas de Majorana, mas que “nós deveríamos manter explicações alternativas em mente – mesmo se não houverem candidatos imediatamente óbvios”.
Ele elogiou a configuração experimental por sua aparente capacidade de produzir as elusivas partículas de Majorana com facilidade. “Uma das maiores virtudes de sua plataforma em relação a trabalhos anteriores é permitir que pesquisadores apliquem um novo tipo de microscópio para analisar a anatomia detalhada da física”.
A descoberta poderia ter implicações para a procura de partículas de Majorana livres fora de materiais supercondutores. Muitos físicos suspeitam que neutrinos – partículas extremamente leves com a estranha capacidade de alterar suas identidades, ou “sabores” – sejam partículas de Majorana, e experimentos estão sendo realizados para investigar essa hipótese.
Yazdani aponta que, agora que sabemos que partículas de Majorana podem existir dentro de supercondutores, pode não ser surpreendente encontrá-las na natureza. “Uma vez que o conceito esteja correto, é muito provável que ele apareça em outra camada da física. Isso é empolgante”.
A descoberta também poderia ser útil para construir computadores quânticos que façam uso das leis da mecânica quântica para realizar cálculos muitas vezes mais rapidamente que computadores convencionais.
Um dos principais problemas na construção de um computador quântico é a suscetibilidade de propriedades quânticas, como o emaranhamento (uma conexão tal entre duas partículas, que agir sobre uma delas afeta a outra), a colapsar devido à interferência externa.
Uma cadeia de partículas com Majoranas em cada extremidade seria quase imune a esse risco, porque seria necessário danificar as duas extremidades simultaneamente para destruir quaisquer informações codificadas nela. “Poderíamos construir um bit quântico com base nessas partículas de Majorana”, declara Yazdani. “A ideia é que esse bit seja muito mais robusto para o ambiente que os tipos de bits que já foram tentados até agora”.

Mais próximos da matéria escura.

Joshua Frieman conta sua estratégia para obter indícios da misteriosa substância

Reidar Hahn/DES

Republicado da RevistaQuanta
Assim como a maioria dos cosmólogos teóricos, Joshua Frieman ficou empolgado quando, em 1998, astrônomos anunciaram que a expansão do Universo parecia estar acelerando, conduzida por um agente invisível que eles batizaram de “energia escura”.
Frieman e seus colegas teóricos imaginaram duas possíveis causas para a aceleração cósmica: a energia escura poderia ser a oscilação quântica do espaço vazio – uma “constante cosmológica” que continua a aumentar conforme o espaço expande, empurrando-o com força cada vez maior.
Por outro lado, um campo de força ainda não detectado poderia permear o Cosmos, semelhante ao campo que cientistas acreditam ter alimentado a exponencial expansão do Universo durante o Big Bang.
Mas os cientistas também perceberam que as duas opções teriam consequências observacionais quase idênticas, e qualquer uma das teorias poderia corresponder adequar a medidas atuais imprecisas.
Para diferenciar uma da outra, Frieman, professor de astronomia e astrofísica da University of Chicago e cientista sênior do Fermilab perto de Batavia, no estado de Illinois, cofundou a Dark Energy Survey (DES, ou “Pesquisa de Energia Escura”), um experimento de 300 pessoas e US$50 milhões.
A peça central do projeto é a Câmera de Energia Escura, ou DECam, um detector ótico de infravermelho próximo e CCD com 570 megapixels, construído no Fermilab e instalado no Telescópio Blanco, no Chile, há dois anos.
Ao observar 300 milhões de galáxias espalhadas por 10 bilhões de anos-luz, a DES pretende rastrear a aceleração cósmica com mais precisão que nunca, esperando apoiar uma das duas hipóteses.
Frieman e sua equipe agora estão mostrando seus primeiros resultados.
A Revista Quanta se entrevistou Frieman no final de agosto durante a COSMO 2014, conferência que ele ajudou a organizar. Com sua curta barba branca, óculos de tartaruga e camisa de algodão orgânico, o cientista desaparecia entre clientes que almoçavam no restaurante italiano da esquina. Entre porções de tagliatelle, ele explicou exatamente o que sabemos e não sabemos sobre a energia escura, e como a DES ajudará a levar teóricos até uma ou outra das descrições de sua natureza. Segue uma versão editada e condensada da entrevista.
QUANTA MAGAZINE: Por que o senhor começou a Pesquisa de Energia Escura?
JOSHUA FRIEMAN: Como teórico trabalhando nos anos 90 com ideias sobre o que poderia fazer com que o Universo acelerasse, eu cheguei à conclusão de que poderíamos produzir modelos diferentes e fazer muita especulação, mas que não saberíamos qual desses caminhos seguir até que tivéssemos dados muito melhores.
Assim, nós começamos a discutir como obter esses dados. Por volta daquela época, o Observatório Nacional de Astronomia Ótica anunciou uma oportunidade que dizia, mais ou menos, “Se você conseguir construir um instrumento bem legal para o telescópio que operamos no Chile, você vai ganhar muito tempo no telescópio”. Foi então que formamos a colaboração da Pesquisa de Energia Escura e criamos o projeto de nossa câmera. 
Não é incomum que um teórico conduza um grande experimento de astrofísica?
É um pouco incomum, mas as fronteiras entre teoria e observação na cosmologia estão se tornando difusas, o que eu acredito ser uma evolução saudável. No passado, teóricos como eu trabalhavam com papel e caneta, e então observadores obtinham e analisavam dados. Mas agora temos um modelo baseado em que equipes treinadas para analisar e interpretar grandes conjuntos de dados, e isso não é teoria pura ou observação pura, mas uma combinação dos dois.
Como o senhor visualiza algo invisível e desconhecido como a energia escura?
Uma maneira de pensar sobre a energia escura é como um fluído, no sentido de que ela pode ser descrita por sua densidade e pressão. Essas duas propriedades nos informam seus efeitos sobre a expansão do Universo. Quanto mais energia escura existir – isto é, quanto maior sua densidade – maiores são seus efeitos. Mas o que é realmente crucial sobre a energia escura é que, ao contrário de todas as outras coisas que conhecemos, ela tem pressão negativa, e isso a torna gravitacionalmente repulsiva.
Por que a pressão negativa a torna repulsiva?
A teoria de Einstein afirma que a força da gravidade é proporcional à densidade energética mais três vezes a pressão então, na prática, a própria pressão gravita. Isso é algo a que não estamos acostumados porque, com a matéria comum, a pressão é apenas uma pequena fração da densidade. Mas se algo tiver pressão como uma fração considerável da densidade energética, e se essa pressão for negativa, então podemos mudar o sinal da gravidade. Assim a gravidade não é mais atrativa – é repulsiva.
O principal candidato para a energia escura é, de longe, a “constante cosmológica”. O que é isso?
Albert Einstein introduziu a constante cosmológica em 1917 como um termo adicional nas equações da gravidade. Na teoria de Einstein, a gravidade é a curvatura do espaço-tempo: você tem alguma fonte de energia e pressão que curva o espaço-tempo, e então outra matéria se move dentro desse espaço curvado. As equações de Einstein se relacionam à curvatura do espaço-tempo para a energia e pressão de qualquer coisa que estiver no espaço.
Einstein originalmente inseriu a constante cosmológica no lado da equação que continha a curvatura porque queria obter uma solução específica, que acabou se provando errada. Logo depois, porém, o físico belga Georges Lemaître percebeu que a constante cosmológica se relacionava naturalmente com as pressões e densidades energéticas, e que isso poderia ser interpretado como densidade energética e pressão de algo. O lado da densidade e pressão na equação já continha tudo no Universo: matéria escura, átomos, qualquer coisa. Se removermos tudo isso, então a constante cosmológica deve ser a densidade energética e a pressão do espaço vazio.
Como o espaço vazio pode possuir energia e pressão?
Na física clássica, o espaço vazio não tinha energia ou pressão.
Mas efeitos quânticos podem criar energia e pressão mesmo se não existirem partículas por lá. Na teoria quântica podemos imaginar partículas virtuais voando pelo vácuo, e essas partículas virtuais – que estão sempre sendo produzidas e aniquiladas – têm energia.
Assim, se a energia escura for a constante cosmológica, ela poderia ser a energia associada a essas partículas virtuais.
Como se mede a energia escura?
Estamos tentando fazer duas coisas que nos deem os limites para a energia escura: a primeira é medir distâncias, o que nos conta a história da expansão cósmica. A segunda é medir o crescimento de estrutura no Universo.
Para esse último, estamos usando uma técnica chamada de “lente gravitacional fraca”, que envolve medir, com muita precisão, os formatos de centenas de milhões de galáxias, e então inferir como esses formatos foram distorcidos, porque os raios de luz dessas galáxias ficam curvados com a gravidade enquanto eles viajam até nós.
Esse efeito de lente é minúsculo; assim, em 99 de cada 100 casos, você não consegue saber se o efeito incidiu sobre uma galáxia só de olhar para ela. Então temos que analisar o sinal estatisticamente.
Se compararmos os formatos de galáxias que não ficam tão distantes com o formato das que ficam, parte da diferença se deverá ao fato de que a luz passou por quantidades diferentes de estruturas aglomeradas.
Analisar o sinal das lentes nos dará uma medida de como a aglomeração do Universo evoluiu no tempo cósmico, e essa aglomeração é afetada pela energia escura.
A gravidade puxa as coisas para dentro, fazendo o Universo se tornar cada vez mais aglomerado com o tempo, mas a energia escura faz o oposto. Ela faz com que as coisas se afastem umas das outras.
Então, se pudermos medir como a aglomeração do Universo mudou ao longo do tempo cósmico, podemos inferir algo sobre a energia escura: quanto dela existia, e quais eram suas propriedades em momentos diferentes do tempo.
A DES tentará calcular o parâmetro w da “equação de estado” da energia escura. O que o w representa?
O parâmetro w informa a razão da pressão da energia escura por sua densidade. Se a energia escura for a constante cosmológica, então poderemos mostrar que o único w consistente para o espaço vazio é aquele em que a pressão é exatamente igual a menos a densidade energética. Então o w tem um valor muito específico: menos um.
Se a energia escura não for a constante cosmológica, o que mais ela pode ser?
As alternativas mais simples, e aquelas em que trabalhei nos anos 90, são inspiradas pela “inflação”. Antes de sabermos que a expansão do Universo está acelerando, acreditávamos que o Universo havia acelerado na menor fração de um segundo após o Big Bang. A ideia de aceleração cósmica inicial é chamada de inflação.
Assim, o mais simples a fazer era assumir a teoria que explica essa outra época de expansão acelerada e que envolve campos escalares.
Um campo escalar é uma entidade que tem um valor em todos os locais do espaço.
Conforme o campo evolui, ele pode agir como a energia escura: se evoluir lentamente, terá pressão negativa, o que fará o Universo acelerar.
Os modelos mais simples de inflação primordial sugerem que, durante certo período, o Universo foi dominado por um desses campos escalares, e ele eventualmente decaiu e desapareceu. E se essa é nossa melhor ideia a respeito do que aconteceu quando [a expansão do] Universo estava se acelerando há quase 14 bilhões de anos, deveríamos considerar que talvez algo semelhante esteja acontecendo agora.
Se observarmos esses modelos, veremos que eles tendem a prever que o w, a razão entre a pressão e densidade energética, será levemente diferente de menos um. Gostaríamos de testar essa ideia.
No futuro, a DES também tentará determinar se o w está mudando com o passar do tempo. O que isso nos dirá?
Em quase todos os modelos de energia escura distinta de constante cosmológica, o w tende a evoluir no tempo.
O w poderia, por exemplo, começar como menos um no passado distante e, conforme o campo escalar evolui cada vez mais rápido, o w se afasta cada vez mais de menos um.
Mas, de acordo com outras teorias, pode ocorrer o oposto.
Assim, se pudermos medir não apenas o w, mas também uma quantidade que chamamos de wa – a velocidade com que o w muda no tempo – poderemos dizer “Vivemos em um tipo de Universo, ou em outro?”.
O que os dados atuais nos dizem sobre o wa?
Eles são consistentes com a não-evolução – wa igual a zero – mas os erros são tão grandes que não temos informações significativas.
Assim, o que queremos fazer com a DES é produzir medidas suficientes para realmente começar a limitar o wa.
Se observarmos os valores atualmente permitidos de w0 e wa em um plano, veremos uma área aproximadamente limitada por uma elipse. Nossa esperança é conseguirmos reduzir a área da elipse no plano w0-versus-wa por um fator de três a cinco se comparado à sua posição nos últimos anos.
No momento, os dados ainda são consistentes com uma constante cosmológica. Mas esperamos que, quando começarmos a reduzir a elipse, ela possa ser reduzida a algo incompatível com a constante cosmológica.
Não podemos dizer se isso vai acontecer mas, se conseguirmos, será muito empolgante.
Por que o senhor prefere um campo escalar à constante cosmológica?
Porque isso revelaria que existe uma física nova em uma área em que não a esperávamos. E também, se o w for diferente de menos um, teríamos esperança de aprender algo sobre a física da energia escura.
Por outro lado, se tivermos apenas a constante cosmológica, isso será interessante, mas dificilmente nos indicará para onde ir.
Os primeiros artigos da DES foram publicados nos últimos meses. Que resultados foram relatados?
Esses resultados são de um período que chamamos de “verificação científica”, em que conduzimos uma mini versão de nossa pesquisa logo após instalar a câmera no telescópio para testar a qualidade dos dados que ela estava produzindo.
Em um estudo, por exemplo, nós medimos as massas de quatro aglomerados galácticos por meio de seu efeito de lentes gravitacionais. Em outro estudo, usamos as cores de galáxias para estimar seus desvios para o vermelho, o que efetivamente nos informa suas distâncias.
Quase todos os nossos resultados em energia escura vão depender fundamentalmente dessa técnica de cor.
Queríamos convencer a nós mesmos de que poderíamos medir esses desvios com precisão suficiente para realizar as medidas da matéria escura, e conseguimos demonstrar isso.
Qual é a sensação de operar o telescópio no Chile?
O observatório fica em uma montanha, Cerro Tololo, a uma elevação de aproximadamente sete mil pés (2,13 quilômetros). É muito seco, então não existe muita vegetação, mas eu acho lindo.
O sistema não é completamente automático, mas até um teórico como eu consegue operar a câmera. Nós temos um programa de computador que diz “Certo, com base no que observamos até agora, com base na posição da lua, com base no clima atual, aponte o telescópio para lá durante os próximos minutos”.
Assim, na maior parte do tempo você simplesmente fica sentado no console, garantindo que tudo esteja funcionando e observando imagens maravilhosas do Universo aparecendo na tela. É divertido.
Republicado com permissão de Quanta Magazine, uma divisão editorialmente independente da SimonsFoundation.com, que tem a missão de aumentar a compreensão pública da ciência cobrindo desenvolvimentos e tendências de pesquisa em matemática e nas ciências físicas e da vida.
Scientific American 1 de outubro de 2014

Os minerais mais perigosos …

Minerais preciosos movem o mundo moderno: eles são usados ​​em tudo, de talheres a placas de circuito. No entanto, eles – e os minérios de onde vêm – são alguns dos materiais mais tóxicos conhecidos pela ciência, e escavá-los é tão perigoso que alguns deles foram totalmente retirados da produção industrial. Acima, listamos os nove minerais mais tóxicos que já foram extraídos da Terra. >>> O alto preço do cobre, metal onipresente nos gadgets >>> O mundo está ficando sem ouro Crédito das imagens: JJ Harrison/Wikimedia; CarlesMillan/Wikimedia; CarlesMillan/Wikimedia; JJ Harrison/Wikimedia; Rob Lavinsky/Wikimedia; Rob Lavinsky/Wikimedia; Matteo Chinellato/Wikimedia; Museu Americano de História Natural; Raimond Spekking/Wikimedia

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1 Cinábrio/cinabre (HgS): esta fonte de mercúrio, quando oxidada, produz dois compostos tóxicos que causam danos irreparáveis ​​ao sistema nervoso de crianças. E o mercúrio é fatal em pequenas concentrações, podendo ser absorvido pela respiração, intestinos ou pele. Por isso, as indústrias já eliminaram ou estão eliminando seu uso.

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2 Pirita (FeS2): a pirita era a única fonte de enxofre e ácido sulfúrico, usados em toda a indústria. Isso levou a danos ambientais devastadores, tornando ácidas as águas subterrâneas e córregos próximos. A pirita não é mais minerada comercialmente: o enxofre pode ser coletado como um subproduto do gás natural e petróleo.

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3 Fluorita (CaF2): esta bela pedra verde pode ser muito perigosa. Ela contém flúor, um mineral solúvel que se concentra em águas subterrâneas e que pode se espalhar pelo ar. Em excesso, ele causa fluorose, enfraquecendo ossos e articulações. Muitas comunidades rurais na Índia, China e sudeste asiático sofreram com surtos da doença.

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4 Quartzo (SiO2): este é o segundo mineral mais comum na crosta da Terra, e o mineral mais usado pela humanidade. Mas ao inalá-lo, ele causa silicose, doença que incha os pulmões e gânglios linfáticos e dificulta a respiração. Ele também pode causar câncer de pulmão, doença associada às indústrias de mineração e fabricação de vidro.

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5 Galena (PbS): deste mineral, obtemos o chumbo. Ele não é tão ruim quanto o mercúrio, que pode matar você imediatamente, mas o chumbo não sai do seu corpo: ele se acumula ao longo dos anos até atingir níveis tóxicos. Ele contribui para o surgimento de câncer, e causa defeitos congênitos graves em fetos.

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6 Fenaquita (BeSiO4): ela é extraída por ser uma pedra preciosa, e pelo seu teor de berílio. Este elemento químico já foi um precursor para muitos materiais cerâmicos, até descobrirem que inalar pó de berílio causa beriliose – é como a silicose, porém muito mais grave. Ela causa uma reação alérgica nos pulmões, e não pode ser curada.

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7 Erionita: este é um zeólito, um tipo de silicato chamado de peneira molecular, por reter certas moléculas de acordo com seu tamanho. A erionita se parece muito com minerais de amianto, e causa danos a humanos da mesma forma: através de mesoteliomas, um tipo de câncer. Ele não é mais minerado desde o final dos anos 80.

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8 Hidroxiapatita (Ca10(PO4)6(OH)2): o fósforo do seu fertilizante e o flúor na sua água da torneira muito provavelmente vieram de uma pedra como esta. No entanto, a exposição à hidroxiapatita (seja na sua mineração ou processamento) deposita esses mesmos minerais em suas válvulas cardíacas, petrificando-as.

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9 Crocidolite: diga olá para o material mais perigoso do mundo. Mais conhecido como amianto azul, o crocidolite já foi amplamente utilizado por ser forte, flexível e resistente ao fogo. Mas, em 1964, descobriu-se que o amianto causa mesotelioma – um tipo de câncer – e o mineral parou de ser usado após algum tempo.

Diamante e Silício na computação Quântica.

Diamante e silício dão-se as mãos rumo ao computador quântico

Redação do Site Inovação Tecnológica – 24/09/2014

Diamante e silício dão-se as mãos rumo ao computador quântico

Os centros de cor de silício – defeitos no diamante onde um átomo de silício substitui um átomo de carbono – geram fótons idênticos. [Imagem: APS/Alan Stonebraker]

Computador de diamante e silício

Talvez a tão alardeada era pós-silício da eletrônica nunca chegue realmente a acontecer.

Não que a eletrônica e a computação não vão avançar, mas porque o silício pode se tornar um elemento essencial da futura arquitetura computacional.

Físicos acabam de descobrir que mesclar átomos de silício no interior de diamantes pode ser a forma perfeita para criar qubits para os computadores quânticos.

Dentre os vários tipos de bits quânticos que estão sendo pesquisados, alguns dos mais interessantes são aqueles gerados nas vacâncias de nitrogênio do diamante, defeitos cristalográficos nos quais um átomo de carbono é substituído por um átomo de nitrogênio.

Agora, Alp Sipahigil e seus colegas dos Estados Unidos e do Japão descobriram que um defeito cristalográfico – também conhecido como centro de cor – produzido por um átomo de silício é muito mais eficiente e fácil de manipular do que o centro de cor de nitrogênio.

Vacâncias de silício

Para surpresa dos físicos, os centros de cor de silício geram fótons com propriedades idênticas – mesmo comprimento de onda, mesma polarização e mesma direção. A única diferença entre eles quando são medidos é a sua posição física.

Diamante e silício dão-se as mãos rumo ao computador quântico

A leitura de qubits no diamante é uma técnica já bastante desenvolvida. [Imagem: Alp Sipahigil et al. – 10.1103/PhysRevLett.113.113602]

Essa identidade é tudo o que os engenheiros querem quando estão tentando realizar o processamento quântico de informações usando interações entre fótons e átomos. Isto porque é possível criar estados de entrelaçamento entre eles, quando então tudo o que acontecer a um dos fótons afetará imediatamente o outro.

Segundo a equipe, apenas a demonstração da geração de fótons idênticos já colocaria as vacâncias de silício (SiV) como candidatas naturais para a computação quântica, sobretudo porque elas dispensam os aparatos criogênicos, funcionando bem a temperatura ambiente.

Mas elas também têm outras vantagens, eliminando várias deficiências das vacâncias de nitrogênio, como as incertezas na leitura dos spins e a diferença na energia entre esses spins.

Estabilidade dos qubits

O diamante tem mais de 500 centros de cor teoricamente possíveis, mas ninguém havia conseguido demonstrar que as vacâncias de silício são emissoras de fótons individuais. Menos ainda a geração de fótons idênticos.

O próximo passo será medir a estabilidade dos spins nesses potenciais qubits, o que diz respeito a quanto tempo um dado permanecerá estável.

Como tanto o diamante quanto isótopos do silício têm demonstrado qubits incrivelmente duradouros, o entusiasmo entre os físicos é grande.

Bibliografia:
Indistinguishable Photons from Separated Silicon-Vacancy Centers in Diamond
Alp Sipahigil
Physical Review Letters
Vol.: 113, 113602
DOI: 10.1103/PhysRevLett.113.113602
http://arxiv.org/abs/1406.4268
Phys. Rev. Lett. 113, 113602 (2014)
Kay D. Jahnke, Lachlan J. Rogers, T. Teraji, J. Isoya, Alexander S. Zibrov, Fedor Jelezko, Mikhail D. Lukin
Physical Review Letters

A educadora Marie Curie

 

Menos conhecida do público, a atuação no ensino de ciências da única mulher a ganhar dois prêmios Nobel merece ser lembrada. O destaque vai para a ênfase dada por ela à experimentação e para a cooperativa que criou para despertar vocações.

Por: Vera Rita da Costa

Publicado em 10/07/2014 | Atualizado em 10/07/2014

A educadora Marie Curie

Uma das personalidades mais conhecidas e admiradas em todo o mundo, Marie Curie dedicou-se e deu especial valor ao ensino de ciências. (foto: Smithsonian Institution Archives)

Há 80 anos, mais precisamente em 4 de julho de 1934, morria Madame Curie – uma das personalidades mais conhecidas e admiradas na história da ciência. Pouco se conhece e se divulga, no entanto, a ligação que tinha a cientista com a educação em ciência e, principalmente, o valor que dava a ela. 

Maria Salomee Sklodowska, mais tarde Marie Curie, nasceu em 1867 em Varsóvia, Polônia, em um ambiente familiar rico em cultura e educação. Marie era filha de professores conhecidos em Varsóvia. Sua mãe, Bronsilawa Boguska, era professora primária e dava aulas de piano e canto, mas morreu jovem, quando Marie Curie tinha apenas 10 anos. Seu pai, Władysław Skłodowski (1832-1902), era um admirado professor secundário de física e matemática, influente politicamente entre os estudantes, em um período de resistência à dominação russa sobre a Polônia. 

O pai foi a principal influência de Marie Curie e o desencadeador de sua paixão pela ciência

O pai foi a principal influência de Marie Curie e o desencadeador de sua paixão pela ciência. Conta-se que, embora tenha sido sempre excelente aluna e primeira colocada em todas as matérias, o contato mais íntimo de Marie com a ciência, em especial com a ciência experimental – em que se mostrou tão competente no futuro –, se deu em casa e por um golpe negativo do destino.

Proibido de ensinar ciência experimental pelas autoridades russas (a Polônia na segunda metade do século 19 estava sob domínio russo), Władysław Skłodowski transferiu os instrumentos de seu laboratório de ensino de física para casa, onde passou a enriquecer a cultura da filha também nesse aspecto, estimulando-a ainda jovem na atitude científica essencial: buscar conhecimento por meio da experimentação. 

Outro aspecto interessante e pouco apresentado da biografia de Marie Curie, que diz respeito diretamente à educação, é o fato de ela, desde muito cedo, ter se dedicado ao ensino.

Em 1885, aos 18 anos – muito antes, portanto, de suas conquistas acadêmicas –, Marie Curie driblou as dificuldades financeiras vividas pela família, tornando-se professora particular (preceptora) de filhos de famílias ricas na Polônia. 

Marie arriscou-se politicamente, ao manter uma sala de aula improvisada e ensinar a língua e a cultura polonesas, proibidas pelas autoridades russas, a crianças e jovens camponeses

Nessa oportunidade, arriscou-se politicamente, ao manter uma sala de aula improvisada e ensinar a língua e a cultura polonesas, proibidas pelas autoridades russas, a crianças e jovens camponeses. Também se envolveu, juntamente com sua irmã Bronislawa Sklodowska (1865-1939), com a ‘Universidade Volante’, uma escola noturna informal e ilegal criada para estudantes poloneses, principalmente mulheres, impedidos de seguir cursos regulares por restrições das autoridades russas.  

Aliás, foi também por conta da proibição de as mulheres frequentarem universidades que Marie Curie mudou-se para a França, para satisfazer seu desejo de se aprofundar nos estudos. 

Mais tarde, já aos 33 anos e enfronhada na pesquisa científica, Marie Curie tornou-se novamente professora, dessa vez na Escola Secundária de Sévres, onde era comum professores oriundos da Universidade de Sorbonne e do Collége de France darem aulas, embora fosse raríssimo encontrar docentes mulheres. 

Marie Curie foi a primeira mulher a participar do corpo docente da Sorbonne e, segundo consta dos relatos de suas ex-alunas, inovou no ensino de física ao ampliar o tempo de suas aulas, produzir seu próprio material de ensino, levar suas alunas para conhecer laboratórios de pesquisa, inclusive aquele onde ela trabalhava com o primeiro marido, o físico Pierre Curie (1859-1906),  e pôr as meninas em contato direto com equipamentos e experimentos – atividade antes restrita aos rapazes.

Despertar vocações

Mas de todas as experiências pedagógicas de Marie Curie, há uma que, embora não seja com frequência mencionada em suas biografias, deveria ser mais destacada e enaltecida. Trata-se da cooperativa de ensino, criada por iniciativa dela e de um grupo de amigos e destinada a aprofundar os conhecimentos culturais e ensinar ciência, sob uma perspectiva experimental, aos próprios filhos.

A ideia, como foi mais tarde relatada pela própria filha de Marie, Irene Joliot-Curie (1897-1956), era despertar vocações científicas, mas fazê-lo fugindo da, já tradicional na época, apresentação teórica da ciência.

Na Cooperativa, como era chamada a escola informal por alunos e professores, as próprias crianças realizavam as experiências, orientadas e estimuladas pelos professores – e os professores, nesse caso, não poderiam ser melhores. Entre eles estavam, além de Marie e Pierre Curie, os físicos Jean Baptiste Perrin (1870-1942) e Paul Langevin (1872-1946). 

Também participaram da iniciativa, como professores de francês, literatura ou história, Marie Henriette Mouton, Henriette Perrin e Alice Chavannes, além do escultor Jean Magrou (1869-1936), que se encarregava das aulas de desenho e modelagem. 

Alunas de Marie Curie
Tirada aproximadamente entre 1910 e 1915, a foto mostra Marie com quatro de suas estudantes. Ela foi a primeira mulher a dar aulas de física na Universidade de Sorbonne, na França. (foto: Library of Congress)

A biografia de Marie Curie é fascinante e deveria ser ainda mais conhecida em seus muitos e variados aspectos por todo aquele que é professor ou interessado em ciência. Também deveria ser mais explorada com os alunos. 

A biografia de Marie Curie é fascinante e deveria ser ainda mais conhecida em seus muitos e variados aspectos por todo aquele que é professor ou interessado em ciência

A parte árdua, romântica e dramática da história – aquela que envolve a descoberta do elemento rádio, o casamento e a colaboração científica com Pierre Curie, assim como a sua morte trágica – pode ser conhecida no clássico filme hollywoodiano Madame Curie. A produção é de 1943, baseou-se na biografia escrita por sua filha Ève Curie (1904-2007) e tem como atores principais Greer Garson (Marie) e Walter Pidgeon (Pierre). Dirigida por Paul Osborn e Paul Rameau, contou também com o auxílio do escritor Aldous Huxley (1894-1963), o que certamente contribuiu para a veracidade e qualidade do filme. 

Mas se o interesse pela obra de Marie Curie for pedagógico ou didático, há outra dica interessante. Vale, nesse caso, ler Aulas de Marie Curie, coletânea das aulas de física dadas por Marie às crianças da Cooperativa, anotadas e comentadas, em 1907, por Isabelle Chavannes, uma das alunas na oportunidade. 

As aulas de Madame Curie abordam questões essenciais da física. Nelas, por exemplo, as crianças são instigadas a distinguir o vácuo do ar; a descobrir que o ar pesa sobre os ombros; a compreender como a água chega à torneira ou, ainda, a descobrir como fazer flutuar os barcos.

Isabelle Chavannes tinha apenas 13 anos quando participou da Cooperativa. Era uma das crianças mais velhas da turma e tornou-se mais tarde engenheira química do grupo industrial francês Ugine Kuhlmann. Graças a suas detalhadas anotações, podemos hoje perceber qual o método usado por Marie Curie para despertar a curiosidade e fazer as crianças estudarem. 

Da leitura das anotações de Isabelle, depreende-se que, de modo geral, nada era oferecido por Madame Curie às crianças ‘de bandeja’. O que de fato ela fazia era relativamente simples: instigava, encorajava e orientava as crianças a pensar e a experimentar. 

Leia também
A educadora Marie Curie: uma perspectiva diferenciada dessa cientista, de Ingrid Nunes Derossi e Ivoni Freitas-Reis. XVI Encontro Nacional de Ensino de Química (XVI ENEQ) e X Encontro de Educação Química da Bahia (X EDUQUI) Salvador, BA, Brasil – 17 a 20 de julho de 2012.
A família Curie, de José Maria Bassalo. Curiosidades da Física. Seara da ciência/ UFCE. 

Teoria do impacto que criou a Lua: indícios questionáveis

 

Redação do Site Inovação Tecnológica – 06/06/2014

Teoria do impacto que criou a Lua: indícios questionáveis

“A teoria do impacto gigante é uma bela teoria que explica um monte de coisas, mas há esse problema” – entenda-se bem, o problema de que os dados não lhe dão sustentação. [Imagem: NASA/JPL-Caltech]

Hipótese sobre a formação da Lua

Os cientistas não sabem como a Lua se formou, mas eles gostam muito de uma teoria – a rigor, uma hipótese – que afirma que um hipotético planeta Teia (ou Theia) se chocou com uma “proto-Terra” e formou nosso satélite.

Se tal colisão ocorreu, os escombros de Teia deveriam constituir cerca de 70% da Lua.

O problema com a teoria é que, até hoje, não se encontraram diferenças significativas nas constituições da Terra e da Lua – ambas têm uma composição muito similar, indicando que a Lua é filha da Terra, ou talvez irmã, sem qualquer sinal de Teia.

Mas isso leva os cientistas de volta à estaca zero, e eles ficam sem nenhuma teoria para explicar o nascimento da Lua a partir da Terra.

Daniel Herwartz, da Universidade de Cologne, na Alemanha, resume bem o sentimento de decepção da comunidade científica a esse respeito: “A teoria do impacto gigante é uma bela teoria que explica um monte de coisas, mas há esse problema” – entenda-se bem, o problema de que os dados não dão sustentação à hipótese.

Busca pela evidência perdida

Agora, Herwartz e seus colegas encontraram um jeito de dar esperança à hipótese e, quem sabe, elevá-la à classe das teorias.

Analisando amostras de rochas trazidas da Lua pelas missões Apolo, e comparando-as com amostras da Terra e de meteoritos, eles encontraram uma pequena diferença entre os raríssimos isótopos oxigênio-17 de lá e de cá.

É fato que as amostras da Lua trazidas pela Apolo vêm sendo estudadas à exaustão há meio século, incluindo comparações de isótopos não apenas do oxigênio, mas também de titânio, silício e vários outros elementos.

Teoria do impacto que criou a Lua: indícios questionáveis

As amostras da Lua trazidas pela Apolo vêm sendo estudadas à exaustão há meio século, incluindo comparações de isótopos não apenas do oxigênio, mas também de titânio, silício e vários outros elementos. [Imagem: Addi Bischoff/Westfalische Wilhelms-Universitat Munster]

Ocorre que as tecnologias de medição melhoraram, o que permitiu agora encontrar uma minúscula diferença, várias casas depois da vírgula.

Os dados da equipe alemã indicam que há 12 partes por milhão (ppm) a mais de oxigênio-17 nas amostras da Lua do que nas rochas da Terra – pense em 0,0012%, ou, para facilitar, pense em encontrar 1.000.000 dos isótopos oxigênio-17 na Terra e 1.000.012 deles na Lua.

Parece muito pouco para sustentar a hipótese do grande impacto, que afirma que a Lua teria algo entre 70% a 90% de Teia e de 10% a 30% da Terra. Mas isso não impediu a equipe de concluir que seus dados “fornecem evidências crescentes” para sustentar a ideia.

Cautela

As ciências planetárias têm sofrido de uma tendência à geração de notícias com embasamentos questionáveis que, ao invés de ajudar a dar suporte a esses estudos, acabam desacreditando todo o campo.

Todos se lembram das “descobertas” de água na Lua, anunciadas com grande esforço de mídia, incluindo conclusões de que a Lua poderia ter água disseminada em todo o seu interior.

Contudo, estudos posteriores que mostraram que os minerais descobertos não se formam na presença de água não mereceram a mesma atenção. Muitos defendem que a Lua não tem água, algo que logo será tirado a limpo, uma vez que a NASA já trabalha na construção de um robô para procurar a água lunar.

A descoberta de água em Marte seguiu rumo semelhante, com anúncios bombásticos feitos pela NASA criteriosamente a cada seis meses – anúncios que só deixaram de ser feitos depois que os cientistas que assinavam estudos desse tipo começaram a tornar-se alvos de piadas e comentários maldosos na própria academia. Sem contar que estudos recentes mostraram que os canais que se acreditava terem sido escavados em Marte por água, mais provavelmente foram criados por lava.

A teoria do impacto de Teia é uma teoria elegante, que poderá encontrar sustentação futura. Mas defendê-la com base em uma diferença de 12 ppm em grânulos de poeira lunar que não se pode considerar como representativos da geologia de toda a Lua parece certamente mais um “exagero científico”.

Bibliografia:
Identification of the giant impactor Theia in lunar rocks
Daniel Herwartz, Andreas Pack, Bjarne Friedrichs, Addi Bischoff
Science
Vol.: 344, Issue 6188 – 1146-1150
DOI: 10.1126/science.1251117

Novo método de teleporte quântico nos deixa mais próximos de uma internet quântica

Por: Adam Clark Estes
30 de maio de 2014 às 16:35

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Uma equipe de cientistas holandeses anunciou um novo método para teletransporte quântico que usa entrelaçamento como uma forma de comunicação. Eles conseguiram teleportar com sucesso dados a uma distância de três metros. O importante aqui é que eles conseguiram fazer com 100% de confiabilidade.

O feito por si só não é exatamente um grande avanço. Teletransporte quântico não é algo novo. Cientistas já brincam com isso há anos, e a distâncias de até 100 quilômetros. A confiabilidade de 100%, no entanto, é a grande novidade. Isso nos deixa um passo mais próximos de um computador quântico genuíno. Ou, ao menos, nas palavras do comunicado divulgado pelo laboratório, “é um passo importante em direção a uma rede de comunicação quântica entre computadores quânticos ultrarrápidos – uma internet quântica.”

Isso parece bem legal! Mas espere até saber como eles estão fazendo isso. Os pesquisadores aprisionaram elétrons dentro de diamantes a temperaturas extremamente baixas e então atingiram eles com lasers, produzindo quantum bits (os qubits) que podem descrever diversos valores. Os diamantes agem como “mini-prisões” para os elétrons, eles dizem, e permite que eles criem uma rotação para os elétrons e ler eles novamente com precisão. Através de entrelaçamento, eles transportam efetivamente dados entre os qubits a uma distância de três metros com 100% de precisão. Em seguida, eles planejam fazer isso a uma distância pouco inferior a 1,6km.

A equipe holandesa publicou um paper sobre o novo método na Science, mas as coisas estão ficando cada vez mais empolgantes. Se eles conseguirem ampliar o método, poderemos chegar à próxima geração da computação, ao introduzir um novo padrão de velocidade e poder nunca vistos antes. Não vamos teleportar nossos amigos de um canto para o outro do planeta. Mas pelo menos teremos uma internet incrivelmente rápida. [Science via NYT]

Novo método de grafeno em spray faz o supermaterial ficar ainda mais forte

Por: Adam Clark Estes
29 de maio de 2014 às 14:04

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Uma equipe internacional de pesquisadores anunciou uma forma simples e barata de borrifar grafeno em substratos a velocidades supersônicas. Além de soar absolutamente sensacional, o método também oferece uma solução para algumas das fraquezas do supermaterial. O grafeno em spray é simplesmente mais forte.

Apesar de ser um dos supermateriais mais empolgantes do mundo, o grafeno tem fraquezas bem documentadas. Basicamente, ao mesmo tempo que é virtualmente indestrutível em porções microscópicas, ele possui defeitos que surgem em escalas maiores. “Normalmente, o grafeno é produzido em pequenos flocos, e mesmo esses pequenos flocos têm defeitos”, explica Alexander Yarin, pesquisador em um estudo sobre o novo método. Mas se você pensar como partículas de líquido fluem para fora de uma lata de tinta em spray e então se consolidam na parede, e você consegue entender como uma abordagem semelhante pode funcionar com o grafeno.

Com grafeno na equação, no entanto, você precisa de algo mais potente do que aerosol. Então pesquisadores reaproveitaram um sistema cinético de deposição de spray e um bocal de Laval – o mesmo usado em motores a jato supersônicos – para produzir uma torrente de gotículas de grafeno. A energia do impacto força os átomos de carbono a se reorganizarem em uma grade perfeita de grafeno que tanto ouvimos falar, mas sem os seus defeitos. “Estamos explorando a plasticidade do grafeno”, diz Yarin. “Na verdade é uma reestruturação.”

Isso é empolgante. O método de spray funciona com qualquer substrato e nos dá esperança de que o grafeno fique mais simples de ser produzido, além de mais acessível. Além disso, borrifar grafeno em velocidade supersônicas é algo sensacional por si só. [UIC]

Imagem via Shutterstock

Drogas ilícitas versus drogas medicinais

Drogas ilícitas versus drogas medicinais: como essa divisão passou a existir?

Por: Benjamin Breen
18 de abril de 2014 às 11:57

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Minha irmã é bruxa. Ou, mais precisamente, uma astróloga wiccana e leitora de tarô. Tendo crescido como um garoto que adorava Carl Sagan e Stephen Hawking, eu achei bem complicado conciliar minhas visões de mundo com as dela. Mas isso não me impediu de ficar emocionado quando visitei sua casinha vitoriana, um lugar decorado de maneira esquisita e envolto em névoa em São Francisco, no final dos anos 1990. A cidade cantarolava com os sonhos tecno-utópicos da bolha das pontocom, mas dentro daquela casa havia velas queimadas, cartas de tarô embaralhadas e livros de ocultismo se espalhavam pelos cantos do sótão. E foi naqueles cômodos iluminados por velas que eu comecei a entender o apelo daquilo que não é racional, e isso mudou a minha vida.

Quando comecei a minha pós-graduação em História, eu decidi focar no período em que a magia e a alquimia se metamorfosearam naquilo que viríamos a conhecer como a ciência moderna. Eu era especialmente fascinado por John Dee, o bruxo-astrólogo da corte da Rainha Elizabeth I. Embora Dee acreditasse que podia falar com anjos, ele também foi um dos maiores matemáticos e geógrafos de sua época. Robert Boyle e Isaac Newton seguiram os passos de Dee, conduzindo investigações empíricas sobre a natureza enquanto estudavam profecias bíblicas e segredos da alquimia. John Maynard Keynes estava certo quando observou, em 1946, que Newton não foi o primeiro cientista — ele era o último dos magos. A geração de Newton nutria um carinho especial pela busca por “virtudes ocultas” — fenômenos secretos latentes na natureza — e eles as encontraram nas drogas psicoativas e também descobriram um mistério que está entre nós até hoje.

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Eu encontrei o primeiro indício dessa obsessão Iluminista nos diários do maior rival de Newton, o briguento porém brilhante polímata Robert Hooke. Num dia de outono de 1689, Hooke entrou num café londrino para comprar uma amostra de cannabis de um comerciante da Companhia das Índias Orientais que havia se tornado um aficcionado pela planta. Hooke testou os efeitos da droga em um anônimo e informou que ela deixou o paciente “incapaz de dizer uma só palavra que fizesse sentido”. Apesar disso, o veredito foi bom: o consumidor não estava “tonto ou bêbado” e parecia “muito feliz”, sorrindo, dançando e fazendo “vários truques estranhos”. Hooke disse aos seus companheiros membros da Royal Society que a cannabis era um sonífero valioso e que poderia até mesmo “ser considerada para o uso em lunáticos”. Ele previu que os comerciantes de Londres poderiam fazer fortuna vendendo a erva.

Em outras palavras, os mesmos novos efeitos sensoriais que fizeram substâncias como o tabaco, ópio e maconha desejáveis para consumidores globais também os tornaram fascinantes para os primeiros cientistas experimentais. Mas o que fez com que essas drogas se tornassem más – para eles e para nós? Como a dicotomia entre “droga ilícita” e “medicina valiosa” passou a existir?

As drogas tiveram má reputação desde a época de Shakespeare: a venda desregrada de drogas e venenos em Romeu e Julieta permite o trágico final da peça. Shakespeare tendia a associar drogas com coisas como bruxas (“Sua mistura fede, feita com ervas da meia-noite reunidas”) ou assassinos católicos (“a Itália amaldiçoada pelas drogas”). Mas no século XVII, as drogas adquiriram associações com o mundo não-europeu: as ilhas caribenhas com suas febres, a África tropical e as exóticas Índias Orientais.

Até mesmo os humildes grãos de café (do Iêmen e da Etiópia) e as folhas de chá eram considerados medicamentos exóticos naquela época. O doutor Cornelis Bontekoe, um médico a serviço do braço holandês da Companhia das Índias Orientais, recomendava em seu Tractaat (1679) que duas xícaras de chá por dia eram ideais para uma boa saúde. Outro médico escreveu sobre sobre os chineses que o chá “os liberta de todos os males que o uso imoderado de vinho causou em nós”. Mas para a Europa Cristã, as virtudes medicinais de “drogas” estrangeiras como o café, o chá, o ópio e a cinchona eram contrabalanceadas por suas origens em terras pagãs.

O Rei da Inglaterra se juntou ao coro de vozes que atacava as “drogas indianas” como pouco saudáveis e não-cristãs. O Rei James escreveu o A Counterblaste to Tobacco (1604) uma diatribe fantasticamente violenta contra o “costume sujo” de fumar, culpando-o por “infectar o ar” nas mesas de jantar espalhadas pelo reino — para não mencionar que o fumo forçava as esposas dos fumantes ao “tormento perpétuo do fedor”. James considerava o tabagismo um costume demoníaco das culturas xamânicas do Novo Mundo, evocando “a horrível fumaça do rio Estige vinda de uma cova sem fundo”. Em outras palavras: para ele, os cigarros tinham o cheiro do inferno.

James não estava sozinho em sua demonização das drogas. Os inquisidores da Cidade do México retrataram usuários indígenas de peiote como feiticeiros, e os sacerdotes jesuítas nas profundezas da selva amazônica enviavam relatórios preocupados sobre uma planta chamada ayahuasca, que permitia que os xamãs adquirissem conhecimentos advindos dos maus espíritos. Mesmo os grãos de café provocavam polêmicas sobre o “licor estrangeiro” que “enfeitiçava” os consumidores causando enfraquecimento, impotência e coisas piores.
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As drogas psicoativas ficaram, assim, no centro de um debate que envolvia imperialismo, religião, globalização e ciência. E elas ainda estão. Não é coincidência que os cartéis de drogas estejam entre as mais bem-sucedidas empresas multinacionais do século XXI. Ou que a cruzada global contra as drogas, tanto as prescritas por médicos quando as ilícitas, seja um dos princípios fundamentais de uma das maiores novas religiões: a Igreja da Cientologia.

Não seria exagero dizer que a onda de estimulantes, intoxicantes e narcóticos que seguiu na esteira de Cristóvão Colombo ajudou a criar a modernidade como a conhecemos. Do café, passando pelo chá e o chocolate e chegando ao Adderall, aos analgésicos, à cocaína e aos remédios alternativos, como a homeopatia e o ginseng, o consumo de drogas está na centro daquilo que é ser um consumidor moderno.


Esse artigo foi extraído com permissão da Aeon Magazine. Para ler na íntegra, clique aqui.

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